terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Medo de Avião
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Ausência?
Hoje é sexta-feira e, que raro, não sinto vontade de sair. Hoje, comprei uma passagem de avião para São Paulo, vou assistir as palestras da semana sobre Dostoiévski no Centro Cultural Banco do Brasil, com os maiores nomes do universo dostoievskiano do Brasil e da Rússia. Uma ótima oportunidade pra fazer contatos, conhecer professores e alunos que, como eu, pesquisam sobre o escritor, falar um pouco em russo, quem sabe. Viajar. Quando viajo, minha cabeça adquire outra velocidade de raciocínio, o estranhamento oferece novas interpretações. E, se não escrevi recentemente, é porque o mundo já não me era tão estranho como de costume. Voltar a São Paulo vai ser bom, faz cinco anos que não ando por aquelas ruas cinzentas, cheias de pessoas apressadas, organizadas, cheias de objetivo. Eu gosto de São Paulo. Também será a oportunidade de perder o medo, ou não, de avião. Conheço várias cidades do Brasil, de norte a sul, sempre viajando de ônibus ou carro. Tenho medo de altura, de velocidade, de avião. Mas, vamos nessa. Talvez, por isso, resolvi falar um pouco de mim, sempre acho que se pode morrer mais facilmente numa viagem de avião do que em qualquer outra ocasião, embora as pesquisas e a opinião pública sugiram o contrário. Vou enfrentar esse medo. Moro no caminho para o aeroporto desde que nasci. Os aviões passam em cima da minha casa, habitam meus sonhos de madrugada, me acordam, me ninam, me espantam quando passam naquelas imensas alturas em que observamos aquele pequeno pássaro de prata a riscar a imensidão celeste. Que visão não deve ter um cidadão naquela janela. O mar imenso, a terra que divide as águas, o homem que sonha no quintal de sua casa.
Sabe, hoje não quero falar de algo que está externo a mim. Sei que uns dirão que o sujeito morreu. Que o homem é como um rosto desenhado na areia da praia, esperando a maré subir e apagá-lo num esquecimento desmemoriado. Mas, quero dizer coisas simples, que brotam dessa confusão que compõe meu pequeno universo. Quero dizer que acredito no amor. Mais do que nunca! Porque pude vê-lo de perto. Ó vida, faze desse escravo o que decidiste antes mesmo de existir! Arremessa-me pra fora do pássaro de prata. Faze-me voltar. Destina-me pra quem desejo tanto. Rouba-me sorrateiramente o ar enquanto durmo. Dize-me que o tempo já passou e não há nada que se possa ser feito perante à foice que se cobre de preto. Continuarei ausente. Estou indo pra São Paulo estudar aquele homem que me inspira há tantos anos, aquela fonte clara que jorra do âmago do mais impuro dos animais, o conflituoso mestre que soube captar essa roda gigante de sentimentos.
No Centro Cultural Banco do Brasil acontece, entre os dias 01 e 04 de dezembro, o Seminário “Dostoiévski Ontem e Hoje”
01/12 “Dostoiévski, nosso contemporâneo” – com Igor Vólguin (Rússia), Boris Schnaiderman e Paulo Bezerra. Mediação de Bruno Gomide
02/12 “O Universo das Ideias na obra de Dostoiévski” – com Déborah Martinsen (EUA), Fátima Bianchi e Bruno Gomide. Mediação de Elena Vássina
03/12 “Dostoievski x Teatro e Cinema – Uma atração irresistível” – com Elena Vássina, Aury Porto e Cibele Forjaz. Mediação de Ruy Cortez
04/12 “Dostoiévski e a Vanguarda Russa na arte do século XXI: convergências contemporâneas” – com Frank Castorf (Alemanhã), Aurora Bernardini e Arlete Cavaliere. Mediação de Silvana Garcia
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A cidade de Petersburgo nas primeiras novelas de Dostoievski.
A cidade de Petersburgo nas primeiras novelas de Dostoievski.
Autor: Odomiro Barreiro Fonseca Filho*
Para Max Weber, a modernidade, inseparavelmente, se caracterizava pelo Espírito de Cálculo (rechnenhaftgkeit), pelo Desencantamento do Mundo (Entzauberung der Welt), pela Racionalidade Instrumental (zweckrationalität) e pela dominação da burocracia(LOWY E SAYRE, 1995; 35). As cidades ficarão repletas, porque também a população se multiplicava, de indivíduos fatigados e reduzidos à rotina uniforme e enfadonha da exploração industrial, do funcionalismo público e do culto ao dinheiro. Os escritores românticos vão problematizar esta visão de mundo, oferecendo uma reação contra essa racionalização. O olhar do escritor tem uma função histórica, de resgatar uma multidão que está omitida e excluída, desconhecida da burocracia do Estado e tornar-se companheiro de jornada dos que vivem o deserto afetivo da vida urbana. Dostoievski vai fazê-lo de maneira arrebatadora já em seu romance de estréia, Gente Pobre, onde dois personagens do subúrbio de Petersburgo, Várvara Dobrossiulova e Makár Devutchkin, vão dissecar seu cotidiano através da troca de correspondências, narrando toda sorte de desgostos e pequenas esperanças em um ambiente insalubre, delicado e sensível às dificuldades climáticas do inverno, inclusive.
A década de 1840 é marcada por uma mudança radical na maneira como os literatos observavam o cotidiano nas cidades, e isto, vai ser reparado por Walter Benjamin no texto sobre o flâneur, quando os escritores deixarão de fazer uma observação fisiológica da cidade e passarão a se interessar pelos problemas sociais que rodeavam seu universo. Esta mudança de olhar tem a ver com a contextualização do escritor em seu presente. Analisar o contexto histórico do narrador, não diminui a literatura em relação à história, nem vice-versa, mas serve para “armar” o leitor em sua relação de interação com o texto. Sobre esta mudança, dizia Benjamin: “A literatura muda porque a história muda em torno dela. Literaturas diferentes correspondem a momentos históricos diferentes.”(COMPAGNON, 2001: 196)
A relação entre literatura e o espaço geográfico, se não é de primordial interesse para o aprendizado do texto, serve para que melhor situemos a ambiência onde o escritor elevou seu desejo de deixar para o mundo algo que precisasse ser narrado. Assim, o sertão está presente na obra de Guimarães Rosa além de uma simples paisagem a ser relatada, esse sertão que não se encontra nas estatísticas do IBGE. O Rio de Janeiro, se não é parte fundamental para entendimento da obra machadiana, é nos meandros daquelas esquinas e morros cariocas que as tramas e comentários se desenrolarão. Diversos exemplos podem ser citados da relação entre o espaço geográfico e a literatura, como a Bahia de Jorge Amado, a zona da mata de José Lins do Rêgo, o Rio Grande do Sul de Érico Veríssimo. Mas, o que leva o escritor a dar importância, reparar no local a ser narrado? O que faz desse espaço algo digno de ser relatado?
Para Judith Grossman, o espaço conhecido precisa ser estranhado para que se torne familiar (GROSSMAN, 1993: 18). Ou seja, algo precisa estar em desacordo entre a realidade e a visão do escritor para que se possa atribuir um sentido à vivência naquele ambiente. Na grande cidade, a voz do narrador vai resgatar essa multidão omitida pela burocracia, pelos governantes. O escritor vai emprestar sua mão ao serviço dos sujeitos esquecidos nesse deserto afetivo que é a cidade moderna.
A modernidade para os viventes do século XIX correspondia a um imenso choque entre o que aparecia de novo e a tradição, entre o sentido de comunidade e de sociedade. Baudelaire soube muito bem sintetizar o que se passava no seu tempo. Dizia ele: “A modernidade é o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra metade o eterno e o imutável.”(COELHO, 1988: 174). Em que lugar o transitório vai se sentir mais à vontade do que na grande cidade!? Posicionando no meio da multidão que se atropela, nas construções que se sobrepõem, na avenida alargada ou no boulevard iluminado, o homem da cidade se confunde nesse universo construído para si pela força dos próprios homens, onde as convenções não mais seriam impostas pela natureza, mas pela razão, a lei motriz da cidade. Essa idéia de estar na multidão, encantava Baudelaire: “Estar fora de casa, e contudo sentir-se em casa onde quer que se encontre; ver o mundo, estar no centro do mundo e permanecer oculto ao mundo.”(COELHO, 1988: 170) A grande cidade é um palco em eterna montagem, estranho aos olhares mais sensíveis. Michael Löwy e Robert Sayre, no livro Revolta e Melancolia vão sintetizar essa reação à mecanização das qualidades humanas: “Com efeito, os românticos sentem dolorosamente a alienação das relações humanas, a destruição das antigas formas ‘orgânicas’, comunitárias da vida social, o isolamento do indivíduo em seu eu egoísta – que constituem uma dimensão importante da civilização capitalista do qual o mais importante espaço é a cidade.”(LOWY E SAYRE, 1995; 68)
A visão do romancista sobre a transformação da cidade mostra muito do sentimento nostálgico da destruição de sua realidade em face ao surgimento de uma civilização moderna. Michael Löwy e Robert Sayre, em Revolta e Melancolia, vão analisar este embate entre a comunidade (Gemeinschaft) e a sociedade (Gessellschaft), em que a primeira representa os elementos da Kultur: como a família, aldeia, concórdia, costumes, religião e ajuda–mútua; vai se chocar com uma Zivilisation baseada nos preceitos do cálculo, lucro, da grande cidade, do Estado nacional, da luta de todos contra todos.
Uma cidade que na década de 1840 possuía 14 classes (DOSTOIEVSKI, 1967: 217-218) para diferenciar os nobres funcionários dos ministérios dos trabalhadores do baixo escalão, além dos servos que ainda não haviam sido libertados e constituíam a base da economia do país. A Rússia talvez fosse o país onde havia a maior discrepância entre nobres e plebeus, e este abismo vai se refletir nas relações sociais que eclodiam com maior rispidez nas ruas de Petersburgo, especialmente na Perspectiva Névski. Aliás, a agitação cultural e social nesta avenida foi motivo de uma análise aprofundada do pensador Marshall Berman no livro Tudo que é Sólido Desmancha no Ar. A diferenciação entre as classes produzia, naturalmente, um fortíssimo preconceito entre os moradores de Petersburgo. Vejamos uma passagem de O Duplo, quando o personagem principal do romance, Iákov Petrovitch Goliádkin, resolve passear pela Gostini Dvor, uma espécie de “shopping center” de Petersburgo, um centro de compras freqüentado pela alta nobreza. Goliádkin é surpreendido por dois jovens funcionários que se espantam de o encontrar naquele ambiente:
“- Iákov Petrovitch, Iákov Petrovitch! O senhor aqui?! Que cousas acontecem nesse mundo!...
Goliádkin sentiu-se confuso e ofendido pela ousadia dos moços. Estava quase indignado contra a confiança que tomavam, mas decidiu no seu íntimo enfrentar a situação com tolerância, e respondeu:” (DOSTOIEVSKI, 1962: 215)
O diálogo continuou entre o herói e os dois moços, onde os jovens desatavam a rir da situação perturbadora em que Goliádkin se encontrava e este, cada vez mais embaraçado em ter sido descoberto num lugar onde sua presença não era comum, tentava por fim à conversa sem chamar a atenção dos freqüentadores: “Até aqui os senhores não me conheceram. Este não é o lugar adequado, nem a ocasião oportuna para entrarmos em explicações prolixas.”(DOSTOIEVSKI, 1962: 216)
A importância dado ao posto ocupado pelo funcionário em sua repartição parece ter uma distinção mais elevada em Petersburgo. Essa observação não se restringe ao romance de Dostoievski, mas encontraremos situação semelhante em O Capote de Nikolai Gogol, onde o baixo funcionário, Akaki Akakievitch, parece hipnotizado pela necessidade de se aparentar mais decentemente nas ruas do centro de Petersburgo. Até o dia em que compra um capote novíssimo, reluzente, que o faria um homem distinto. Não seria mais aquele “oculto” na multidão, como dizia Baudelaire. Mas, no dia da estréia do caríssimo capote, ele é furtado quando Akaki voltava para casa, tarde da noite, depois de ter saído para tomar chá na casa de um funcionário de um escalão mais alto. A decepção foi tão grande, que o herói enlouquece e morre absorto em seu leito. Por que era tão importante se aparentar de forma garbosa no centro de Petersburgo?
Acredito que essa distinção de classes não era privilégio da capital européia da Rússia, poderíamos encontrar semelhante situação em Paris ou Londres. Mas, esse tipo de preocupação envolvendo funcionários públicos russos, será motivo central de pelo menos três grandes obras da literatura russa na década de 1840: O Capote (1843); Gente Pobre (1844); e O Duplo (1846). Todas elas narravam as dificuldades financeiras dos funcionários públicos do baixo escalão e suas relações com a pobreza numa cidade que fora criada para refletir o brilho da riqueza e pujança russa.
A cidade de Petersburgo aparece nessas histórias quase como um personagem-fantasma, que enuvia os sentidos dos personagens reais. Estar em Petersburgo é mostrar-se altivo e poderoso. Era a cidade dos grandes palácios, das grandes construções e jardins, da Avenida Névski, do Palácio de Inverno, das terras do Tsar como a propriedade de verão em Tsarskoie Selo. A vida da nobreza petersburguesa é mostrada com todos os detalhes no romance Anna Karenina de Lev Tolstoy. Dostoievski vai na contramão da nobreza. Chegou a se mudar do centro de Petersburgo para o subúrbio, para observar de perto o cotidiano das pessoas que viviam em águas-furtadas e em pensionatos. Dessas observações, surgirão as páginas de seu primeiro romance, Gente Pobre.
Em O Duplo, o personagem Goliádkin, em sua ânsia por ser aceito na alta sociedade, termina por enlouquecer. Mas, ao ensandecer-se, não escolhe o calor do seu quarto, uma sala aconchegante para derramar as lágrimas, Goliádkin vai para o centro de Petersburgo, numa noite rigorosa de inverno, com um temporal a castigar o único que se atrevera a enfrentar a gélida escuridão. Percebam que o clima da cidade, as ruas, as pontes, são mais do que um pano de fundo da cena, mas participantes no sofrimento do personagem. O narrador faz questão de relatar o cenário, nomeando cada detalhe e cada circunstância em que o personagem alucinado se encontra. Vejamos:
“No relógio da Municipalidade soavam as doze badaladas da meia-noite quando Goliádkin chegou ao cais do canal de Fontanka, nas imediações da Ponte Ismaílov. Vinha fugindo de seus inimigos e perseguidores; dos protestos das velhas indignadas; das exclamações de espanto das moças; dos olhares fulminantes de Andrei Filíppovitch.”
Dostoievski continua:
“Fazia um tempo horrível; uma característica noite de novembro em Petersburgo: úmida, nebulosa, escura, com essa chuva e essa neve que trazem aos habitantes das margens do Neva os presentes de novembro sob a forma de resfriados, reumatismos, bronquites, gripes, pneumonias e todas as outras moléstias do frio. O vento ululava pelas ruas desertas, fazendo tremeluzir a luz dos lampiões e agitando de modo sinistro as águas do canal. Era aquele vento que suscitava com o seu sopro álgido, leves ruídos, sussurros e rangidos que se confundiam para formar o concertante choroso que conhecem todos os que vivem em Petersburgo. Chicoteadas pela ventania, a chuva e a neve zurziam o pobre Goliádkin, crivando-lhe o rosto de mil alfinetadas.” (DOSTOIEVSKI, 1962: 233)
Mais adiante, Goliádkin parte enlouquecido percorrendo as ruas do centro da capital. Volto a sublinhar que Dostoievski faz questão de nomear cada caminho que seu personagem percorre pela região central. Em outras obras, o escritor russo simplificaria o nome das pontes com o primeiro nome desta (ex: Ponte K, Avenida J), mas em O Duplo, ele faz questão de sublinhar que aquele desespero causado pelo repúdio da nobreza a um pequeno funcionário ocorria em Petersburgo. Notemos:
“Continuou correndo tanto quanto as suas pernas lhe permitiam, sem olhar para trás. Ofegava; tropeçou várias vezes; quase caía; perdeu a outra galocha. Por último, exausto, afrouxou o passo para respirar, volveu a vista em torno e percebeu que havia deixado para trás o canal de Fontanka, sem notar; tinha atravessado a Ponte de Anítchikov e cruzado a Perspectiva Névski e a Litéinaia.” ( DOSTOIEVSKI, 1962: 237)
Em outros momentos da obra de Dostoievski, vamos encontrar a cidade de Petersburgo como cenário de suas obras. Em O Diário de um Escritor, ele vai estranhar a arquitetura da cidade, sua ávida busca por novidades e a falta de um estilo próprio, onde tudo parece estar emprestado de outras civilizações. Em O Idiota, no capítulo em que o príncipe Michkin está prestes a sofrer um ataque epiléptico, ele percorre as ruas do centro de Petersburgo com o mesmo ar ensandecido que Goliádkin naquela obscura noite de novembro. Mas, por enquanto, nos ataremos a trabalhar as duas primeiras obras da longa carreira do escritor.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Pequeno Delírio Épico e Pós-Moderno
criatura em silêncio.
Refém do despotismo das coisas,
filho da retórica moderna.
É poeta, pranto pronto, essência.
Lágrima em desvelo que escorre por face árida.
Plúmbeo olhar ante a desértica fome do consumo.
Este tropel espírito é o herói da pós-modernidade.
Da distante colina, observa o presente em sua conspecta falácia.
Como Cipião Emiliano, chora a dor do futuro,
conspurcando as tradições em seu inevitável caminho para a morte!
Urra, homem! Constrói tua nação no labirinto do teu ser!
*escrevi esse curto pensamento após o término do trabalho sobre Epopéia ministrado pelo professor Saulo Neiva.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Futebol do Nordeste
s em relação aos times do eixo sul-sudeste, desprezo das mídias nacionais, entre outros fatores que dificultam nossa participação. Ou seja, dos únicos três times do nordeste que participam da série A, dois correm riscos seríssimos de serem rebaixados. Pela série B, o caso é ainda mais grave! Os quatro times que se encontram na zona de rebaixamento são da região nordeste, de maneira que, de todo jeito, pelo menos três times da região serão relegados à série C, entre os que disputam ferrenhamente contra a despromoção estão grandes equipes como Bahia e Fortaleza. Na série C, comendo o pão que o diabo amassou, está o Paysandu, outrora grande respresentante da região norte
no futebol brasileiro. O que dizer do seu maior rival, o Clube do Remo? Este último, nem para a série D se classificou! Mas, o caso que mais chama a atenção é o do Santa Cruz FC. O tricolor do Arruda possui a maior média de público de todos os times do Brasil e não conseguiu passar da primeira fase da Série D. Desde o mês de agosto, o "santinha" não realiza uma partida oficial, limitando-se a jogar contra a Usina Catende e outros times do mesmo porte, com todo o respeito à cidade de Catende. O futebol da nossa região está, indiscutivelmente, em crise. Vocês concordam comigo ou estou falando uma inverdade?
ência e identidade futebolística: é o Campeonato do Nordeste. A última edição deste Campeonato ocorreu em 2002 e foi um imenso sucesso, com grandes bilheterias, patrocinadores, motivação da imprensa local e grande rivalidade entre os clubes da região. O que falta, ao meu ver, para o Campeonato do Nordeste se constituir numa grande vantagem para os clubes locais é um passaporte para uma grande competição. É hora dos governadores do nordeste se unirem e requererem uma vaga para o campeão do Campeonato do Nordeste na Libertadores e duas vagas para o segundo e o terceiro colocado, respecivamente, na Copa Sulamericana. Com essas premiações, o Campeonato se tornaria incrivelmente viável. Pois, ao invés de um time do nordeste jogar a Libertadores de vinte em vinte anos, estaríamos lá todo ano, representados seja por Sport, Náutico, Santa Cruz, Bahia, Vitória, Ceará, ABC... grandes torcidas teriam grandes motivações para acompanharem seus times. Nossa região tem bons jogadores, bons técnicos, grandiosa platéia. O que
falta para que consigamos a independência desse conluio que é Campeonato Brasileiro? Os times da nossa região enfrentariam os times do sul e sudeste pela Copa do Brasil que é, sim, uma competição democrática. Também enfrentaríamos os grandes times do sul e sudeste nas competições continentais. O Campeonato do Nordeste teria 7 meses de duração, com primeira e segunda divisão. Os campeonatos estaduais continuariam, a Copa do Brasil também. Ficaríamos livres de juízes mal-intencionados e imprensa bairrista. Essa é a solução que proponho, humildemente, através do meu blog. Até quando precisaremos do sul e sudeste para taxar o valor de nossa cultura e tradição?! Quem está comigo?segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Batalia Bob Junior
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O Dia do Professor
O professor saiu com 15 reais na carteira, decidido a não beber, pois o dinheiro seria insuficiente, além do mais, seu cartão de passagem tinha quebrado na semana que findava e ele ainda haveria que pagar a passagem de ida e volta, de maneira que, resolutamente, só poderia gastar 11 reais naquela noite. Durante um longo período debateu-se, intrigou-se, se realmente valeria à pena sair de casa naquela situação. Porém, vencido pelo tédio, decidiu que arriscaria um passeio pelo centro da cidade. E lá estava na Rua Tomazina, meio desconfiado, a observar o movimento das moças bonitas e dos vendedores de loló.
Em pouco tempo, todos estavam se confraternizando, brindando ao Papa, contando piadas sobre judeus, e questionando o porquê do nosso herói não participar da pândega. Ele sem querer dizer o verdadeiro motivo, inventava uma desculpa qualquer e cinco minutos depois enchiam um copo para ele. Nosso herói sabia que se tomasse o primeiro copo, participaria da conta que daria no mínimo 20 reais por pessoa. Resolveu que daria um passeio pelas ruas do centro, disse que voltava já. Chegou no primeiro bar e pediu um quartinho de Pitú e um limão cortadinho. Estava louco de vontade de beber! Tomou a primeira lapada e deu uma chupada forte no limão que o fez arrepiar. Heya! Dá-lhe outra! 3 reais. Voltou à Rua Tomazina e já se sentia com outra disposição. Tirou uma moeda de 1 real e pôs no bolso, dizendo para si mesmo: “essa daqui é pra voltar pra casa.” No domingo, a tarifa do ônibus é pela metade, ou seja, 95 centavos. Ficava na mesa conversando, cada vez mais acaloradamente. Passou a pedir o quartinho de Pitú no bar em que os amigos se reuniam mesmo, lá o quartinho era um pouco mais caro, 2 reais e ainda teria os 10% do garçom. Mas, tudo haveria de se arranjar. Logo puxou assunto com uma professora meio dentuça que ele conhecia de vista da nova escola em que começara a trabalhar havia dois meses. Não era muito interessante, mas àquela altura da madrugada...
O pior que a professora ficou dando linha e puxando o anzol. Nosso herói se abusou e trocou até de lugar. Mulher complicada, deve ser cheia de problemas. Faltavam 5 minutos para as três da manhã quando, em comum acordo, todos resolveram pagar a conta. Nosso herói pagou 8 reais pelas cachaças que tomou e ainda possuía 2 reais. O bacurau das três já estava perdido. Nosso herói ainda podia tomar uma latinha de cerveja enquanto aguardava o último bacurau que sai às quatro da manhã do Cais de Santa Rita. Partiu para a Rua da Moeda. Tentou conversar com algumas pessoas, mas àquela hora seu aspecto deveria estar deplorável, sem contar o bafo de cachaça. Então, recostou-se no muro de uma casa abandonada e tomou sua cerveja, concluindo que os planos que fizera em casa e que o motivavam a não sair, se concretizaram. Ou seja, voltaria bêbado, não encontraria nenhuma garota interessante, não arranjara uma carona, a noite tinha sido uma merda e gastara os únicos 15 reais que dispunha.
A despeito de todas as maldições que confabulava consigo, resolvera de última instância, olhar a vida por outro viés. Tentara olhar o presente por um lado menos negativo e que ao menos possuía um emprego fixo, onde nunca seria demitido. Nessas meditações percebera que faltavam 15 minutos para as quatro horas. Resolveu se dirigir para o Cais. Atravessou a Ponte Giratória cantando uma música do U2 chamada Sunday Bloody Sunday, em homenagem ao novo dia.
Ao chegar no Cais, entre dezenas de ônibus, avistou logo o bacurau da Várzea e adentrou. O motorista tirando um cochilo na boléia, o cobrador do lado de fora comprando um picolé. Nosso herói ficou um tempo do lado de fora também, observando a gritaragem dos vendedores de café, pipoca, picolé, refrigerante. O Cais de Santa Rita, definitivamente, nunca dorme. O mau cheiro, a escuridão, os passageiros bêbados assim como ele, o cobrador subiu. Nosso herói seguiu-o e retirou a moeda de Um real que desde o começo da história guardara, garantindo seu retorno ao lar, entregando-a ao cobrador e esperando o troco de cinco centavos. O cobrador questionou: “cadê o resto?” Nosso herói, então, argüiu: “Ora, hoje não é domingo?! É meia passagem!” O cobrador que, provavelmente, deveria passar por aquela situação em diversas madrugadas de sábado para domingo, adquiriu uma feição insolente e disse que a meia-passagem só valeria à partir das cinco horas da manhã. O nosso herói ficou aperreado e correu para o porta-moedas da carteira. Tinha uma soma de um real e setenta centavos. Ainda faltava 15 centavos para completar a passagem! Nosso herói então, perguntou se poderia passar faltando 15 centavos, mas o cobrador disse que de maneira alguma. O ônibus começava a ficar cheio e a controvérsia entre cobrador e passageiro começava a chamar a atenção de todos dentro do veículo. Então, o nosso herói sugeriu ao cobrador que ele ficasse com o dinheiro e que ele ficaria ali, quietinho, na frente e desceria sem fazer alarde e que, ainda assim, o cobrador ganharia um trocadinho por fora. Mas, o cobrador decidido a manter sua moral inabalável perante os passageiros do ônibus, levantou-se, sua panóplia de orgulho resplandecera ainda mais, encaminhou-se para os degraus e ordenou ao passageiro que descesse imediatamente ou chamaria a polícia. Nosso herói estava prestes a chorar e argumentava: “Seu cobrador, o senhor vai me deixar aqui no Cais essa hora da madrugada? O próximo ônibus só vai passar daqui à uma hora e meia. Vou ficar aqui sozinho nessa escuridão por causa de 15 centavos?” O cobrador, cada vez mais orgulhoso de seu escrúpulo, dizia: “Bora boy, se tu num descer agora eu vou chamar a polícia!” A situação era irreversível, o orgulho do cobrador estava ferido e ele estava disposto a cumprir a lei à risca. Afinal, é a lei que move a vida dos cidadãos, ela é o dogma irrefutável da urbe e coitado de quem escapa à sua tirania!
Nosso herói já estava conformado com sua derrota quando um homem que acompanhava toda a desavença resolveu se levantar e entregar três moedas cor de bronze no valor de cinco centavos cada, finalizando assim o tão sonhado objetivo do cobrador, o número mágico, a razão transcendental de sua força de trabalho, o seu orgulho proletário, o Um real e oitenta e cinco centavos!! Ao estar de posse do dinheiro necessário, o nosso herói deixou de ser um homem submisso e toda a sua então humildade revertera-se numa cólera de fazer sublinhar as palavras de Hesíodo em suas análises sobre a fúria sentimental. O motorista tocou o ônibus e o cobrador sentou-se em seu lugar para receber as moedas e antes mesmo de se acomodar na cadeira, nosso herói lançou-lhe as moedas com toda a força no rosto, resvalando contra o peito e a janela que ficava ao fundo. Nosso herói, completamente enfurecido, bradava para todo o ônibus, a tremer de ódio: “Chama a polícia agora, seu filho de uma puta! Vai contar essa merda pra ver se tá certo! Tu nunca deixarás de ser um cobrador de bacurau, porque não mereces crescer na vida. Seu merda!” Todos no ônibus arregalavam os olhos diante da medonha cena que se desenrolava. Nosso herói repetia que o motorista parasse na polícia. "Parem! Parem! Vá dizer que eu não paguei!" Assim o transtornado gritava. O nosso herói indagou o cobrador: “Você sabe que eu sou? Eu sou um professor! E se me faltava 15 centavos para pagar uma passagem de ônibus é porque essa merda de país não valoriza a educação e um idiota como você não consegue abstrair o lucro que teu patrão tá ganhando nas tuas costas. Vai dizer pro teu patrão que tu ganhasse 15 centavos para a empresa e aguarda a recompensa que ele te dará!” O cobrador limitara-se a resmungar: “Tu és um liso.” O professor e o cobrador ainda trocaram farpas por alguns minutos até chegarem na primeira parada da Conde da Boa Vista, quando novos passageiros subiram e a turba se acalmou.
Ao chegar em casa, nosso herói muito abatido, sentira remorso de alguns palavrões proferidos. Todos haviam perdido. Gastara os últimos quinze reais que tinha até a chegada do próximo salário que viria em duas semanas e decidira que nunca mais sairia de casa enquanto não pudesse pagar o dinheiro do táxi.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Primeiro Aniversário do Blog
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O Bom Velhinho
Passara o dia inteiro bebendo cerveja, minha visão estava um tanto enturvada, fuscada, olhava com um misto de desdém e curiosidade para os passageiros que aguardavam o ônibus, ansiosos por chegarem às suas residências natalinas. Guardas chegavam e saíam do quartel do Derby, o comércio fechava, restaurantes com seus tristes funcionários recebiam famílias interias. Mas, uma visão me chamou a atenção mais do que qualquer outra. Do outro lado da praça, um homem, ou um mendigo, sim existe distinção, caminhava pela praça seguido de crianças e adolescentes eufóricos. O homem tinha uma barba longa e grisalha, estava mal vestido e carregava na mão direita um latão que era seguido de longe pela gurizada. Comecei a espiar aquela cena com a mesma curisiosidade que nos colocamos a olhar uma cadela a ser cortejada por oito, dez cachorros atrás do cio. Aonde o velho ia, os meninos o seguiam.
De repente, o velho encostou-se no umbral da praça e os meninos o cercaram. O velho lançou um grito incompreensível, provavelmente a exigir um mínimo de organização dos meninos. Houve empurra-empurra e xingamentos, até que eles conseguissem formar uma bagunçada fila. O velho abriu a lata e pôs a derramar o pegajoso líquido nas garrafinhas dos meninos. Os primeiros beneficiados corriam, satisfeitos pelo atendido desejo. Em menos de dez minutos, todos os meninos tinham suas garrafinhas de cola devidamente servidas. O velho também preparou a sua e seguiu seu destino pelas ruas. Grupos de meninos saíram em conjunto a vaguear pelas ruas do centro do Recife, satisfeitos por terem encontrado seu papai noel.
Tomei meu ônibus, cheguei em casa. Chester, frutas cristalizadas, boas bebidas, superstições, Roberto Carlos. Assim, o nascimento de Jesus era lembrado na minha casa, na vizinhança e na maioria das casas da cidade. Antes da ceia, uma oração, agradecimentos, pedidos. Mas, o que pouca gente atenta, é que se Jesus estivesse em algum lugar do Recife naquela noite de alienação, provavelmente estivesse erguendo sua pitchulinha para o bom velhinho que aliviara a dor de uma miserável existência, brindando o pegajoso vinho com seus discípulos sem lar na manjedoura pública.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Passeio Noturno
terça-feira, 22 de setembro de 2009
O Brinquedo
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Cada um com seu Glamour
1. A expressão para "magia" emerge da palavra "gramática". [glamour, originalmente com o sentido de "encantamento", "feitiço", provém de glammar, variante da dissimiliação de grammar, no sentido de "conhecimento oculto".]
Na Inglaterra medieval, o homem que bem dominasse a leitura e a boa escrita era possuidor de certos encantos e fascínios, sendo portanto, uma pessoa de glamour, de conhecimento desse poder oculto. Nos dias de hoje, aqui no nosso país especialmente, onde a leitura e a escrita, o conhecimento e o encanto, não possuem a galhardia de outrora, a palavra glamour ganhou contornos simplórios e empobrecidos, chegando a se associar a mulheres de pouca, ou quase nenhuma, instrução que são formosas apenas nas angulações e arredondados contornos corporais.
Sobre os Rituais da Morte
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Como Posso Estar Sozinho?!
Estive numa praça em Maceió com Graciliano.
Em Alexandria com Teócrito.
Em Roma com Virgílio.
Estive em Paris com John Cale e em Berlin com Nick Cave.
Visitei a tristeza de Schubert em Vienna.
Estive no Rio de Janeiro com Tom Jobim.
Vi Minsk ser pisoteada por uma garota.
Estive em Norilsk, na Sibéria, durante uma tempestade.
O diabo me apareceu e me propôs um pacto. Como sempre: poder!
Em contra-proposta, Deus me ofereceu a suavidade.
Leve gaivota me conduz pelo mundo: céu sem fronteiras!
Familiar jornada.
Barroco desejo de estar em todo lugar.


