domingo, 23 de agosto de 2009

A Meiga

"Inércia! Ó natureza! Os homens, na terra, estão sós - eis a desgraça! 'Há um homem que viva nessa planície?', grita o guerreiro russo das nossas lendas. Eu também grito, e não sou um guerreiro, e ninguém responde. Dizem que o sol faz viver o universo. Que o sol desponte e - olhem para ele, não é um cadáver? Tudo está morto - há cadáveres por toda parte. Nada senão homens e à volta deles o silêncio - eis o que é a terra! 'Homens, amai-vos uns aos outros' - quem disse isso? De quem é esse testamento? O relógio de pêndulo está batendo, insensível, hostil. São duas horas da madrugada. Os sapatinhos dela estão perto da sua cama, como se a esperassem... Digam, sinceramente, quando forem levá-la amanhã, o que vai ser de mim?"



Assim termina o último parágrafo de A Meiga, conto de Dostoievski. Tantos anos se passaram, guerras, tecnologia, feminismo... e eu repito a pergunta proferida pelo nosso mestre russo: Há um homem que viva nessa planície?

Um comentário:

Anísio disse...

"os mortos estão vivos! os moortos estão vivos!"
"é preciso matar os mortos de novo!"