Ontem à noite desloquei-me da minha humilde residência para um barzinho perto de casa na intenção de acompanhar o jogo decisivo entre Botafogo FR e C Náutico Capibaribe pelo Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional. Voltei pra casa irado, colérico e furioso com o árbitro gaúcho Leonardo Gaciba. O cidadão em questão garfou o clube pernambucano desde o começo do jogo: deixou de expulsar o goleiro do Botafogo, anulou um gol legal, marcou um penalty para o Botafogo, sem contar as faltas inexpressivas. Bem, não recorri ao blog pra chorar as dores de uma derrota futebolística, mas para levantar uma questão que, ao meu ver, diz respeito a todos os times de futebol da região nordeste: a decadência deste esporte na nossa região.
Náutico e Sport estão lutando de forma desesperadora para permanecerem na série A, contando com arbitragens bizonhas, tendenciosas mesmo, com quotas financeiras bastante humilde
s em relação aos times do eixo sul-sudeste, desprezo das mídias nacionais, entre outros fatores que dificultam nossa participação. Ou seja, dos únicos três times do nordeste que participam da série A, dois correm riscos seríssimos de serem rebaixados. Pela série B, o caso é ainda mais grave! Os quatro times que se encontram na zona de rebaixamento são da região nordeste, de maneira que, de todo jeito, pelo menos três times da região serão relegados à série C, entre os que disputam ferrenhamente contra a despromoção estão grandes equipes como Bahia e Fortaleza. Na série C, comendo o pão que o diabo amassou, está o Paysandu, outrora grande respresentante da região norte
no futebol brasileiro. O que dizer do seu maior rival, o Clube do Remo? Este último, nem para a série D se classificou! Mas, o caso que mais chama a atenção é o do Santa Cruz FC. O tricolor do Arruda possui a maior média de público de todos os times do Brasil e não conseguiu passar da primeira fase da Série D. Desde o mês de agosto, o "santinha" não realiza uma partida oficial, limitando-se a jogar contra a Usina Catende e outros times do mesmo porte, com todo o respeito à cidade de Catende. O futebol da nossa região está, indiscutivelmente, em crise. Vocês concordam comigo ou estou falando uma inverdade?


Não passamos de mero coadjuvantes do futebol paulista, carioca, mineiro e gaúcho. Fazemos das tripas o coração para estarmos alí, participando daquela festa em que não somos bem-vindos. Somos penetras de uma solenidade que não foi feita para nós: matutos, ignorantes, irascíveis, bruta-montes, analfabetos do nordeste. Sempre que a imprensa do sudeste se remete aos nossos estádios e torcedores, falam como se fossemos uma horda magyar capaz de macularmos a grandiosidade do espetáculo feito apenas para eles. Ano passado, quando o Sport venceu a Copa do Brasil, a torcida rubro-negra da Praça da Bandeira sofreu diversos tipos de preconceito por parte da imprensa que se questionava se era seguro jogar naquele estádio onde a torcida gritava loucamente intimidando os jogadores sulistas. Será que os cangaceiros do nordeste vão invadir o campo e matarem nossos atletas?
Para mim, existe uma saída viável, cristalina e lucrativa para buscarmos nossa independ
ência e identidade futebolística: é o Campeonato do Nordeste. A última edição deste Campeonato ocorreu em 2002 e foi um imenso sucesso, com grandes bilheterias, patrocinadores, motivação da imprensa local e grande rivalidade entre os clubes da região. O que falta, ao meu ver, para o Campeonato do Nordeste se constituir numa grande vantagem para os clubes locais é um passaporte para uma grande competição. É hora dos governadores do nordeste se unirem e requererem uma vaga para o campeão do Campeonato do Nordeste na Libertadores e duas vagas para o segundo e o terceiro colocado, respecivamente, na Copa Sulamericana. Com essas premiações, o Campeonato se tornaria incrivelmente viável. Pois, ao invés de um time do nordeste jogar a Libertadores de vinte em vinte anos, estaríamos lá todo ano, representados seja por Sport, Náutico, Santa Cruz, Bahia, Vitória, Ceará, ABC... grandes torcidas teriam grandes motivações para acompanharem seus times. Nossa região tem bons jogadores, bons técnicos, grandiosa platéia. O que
falta para que consigamos a independência desse conluio que é Campeonato Brasileiro? Os times da nossa região enfrentariam os times do sul e sudeste pela Copa do Brasil que é, sim, uma competição democrática. Também enfrentaríamos os grandes times do sul e sudeste nas competições continentais. O Campeonato do Nordeste teria 7 meses de duração, com primeira e segunda divisão. Os campeonatos estaduais continuariam, a Copa do Brasil também. Ficaríamos livres de juízes mal-intencionados e imprensa bairrista. Essa é a solução que proponho, humildemente, através do meu blog. Até quando precisaremos do sul e sudeste para taxar o valor de nossa cultura e tradição?! Quem está comigo?

