terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Regensburger Domspatzen



Vamos começar o ano pedindo as bençãos aos espíritos superiores, no caso, Jesus Cristo. Calma, não me converti (ainda!). A música é uma linguagem que transcende, muitas vezes, ao significado que suas palavras englobam. A prova disso é essa missa que deixarei para vocês. Todos os grandes compositores do período barroco escreveram missas, com suas estruturas bem definidas: kyrie, gloria, credo, sanctus, agnus dei... A que vou presenteá-los aqui é do italiano Giovanni Pierluigi da Palestrina, interpretada pelo grupo bávaro Regensburger Domspatzen. Um coral formado por crianças e pré-adolescentes, pois suas vozes ainda não engrossaram, deixando-os com um tom angelical, assexuado. Essa voz que aos 13, 14 anos se perde com o desenvolvimento dos hormônios. Aliás, temos uma história interessante para relatarmos. O pobre Franz Schubert quando criança tinha a voz mais bonita de uma escola de música de Vienna (não sei o nome da escola), o diretor do coral ofereceu ao seu pai, uma bela quantia em dinheiro para que ele aceitasse a castração do filho, para que sua voz de anjo permanecesse por toda a vida. O pai, paupérrimo e sem dó da criança, aceitou de pronto. Quando o jovem Franz descobriu a trama, fugiu de casa e da escola.

Aliás, essa situação me faz lembrar um outro episódio. Quando estive em São Paulo, saindo de um bar na Rua Augusta de madrugada, teci um comentário com umas estudantes de sociologia que saiam do mesmo bar. Enfim, o assunto caiu na prostituição. As meninas, de imediato, defenderam a prostituição da Augusta dizendo que as moças de lá recebiam educação e se prostituíam conscientemente. Então, remeteram ao filme Baixio das Bestas, que fala de um pai que prostitui a filha para que ela sustente a família com seu corpo. As meninas começaram a dizer que jamais aceitariam que um pai alugasse sua filha, que era um absurdo, que o nordeste era machista e que o pai tinha que ser morto. Bem, escutei as meninas gritarem e desabafarem. Então, eu disse que uma menina que se prostitui com os caminhoneiros para alimentar toda a família merece mais respeito do que uma que faz apenas para ostentar uma condição social burguesa numa cidade como São Paulo. Pronto, foi uma imensa confusão. Na verdade, tudo isso é muito deprimente e não estou fazendo apologia do pai que prostitui a filha. É que, em certos casos extremos, ou se faz isso ou se morre de fome.

O assunto saiu dos anjinhos para as prostitutas. Aliás, essas últimas, são verdadeiros anjos na Terra. Absorvem as frustrações alheias, os desabafos de maridos entediados, os safanões dos embreagados, a tremedeira do jovenzinho, as contas da casa. São anjos na Terra. Mas, voltando aos anjos da música, o Regensburger Domspatzen é um conjunto musical muito tradicional na Alemanha. Eles foram fundados há nada mais, nada menos, que 1035 anos!! Sim, no ano de 975 da nossa era cristã. Sempre como uma escola que recruta jovens seminaristas para emprestarem suas vozes à sagrada música. Quero começar o ano de postagens no blog com essa música celestial que nos remete aos bons conselhos de Cristo, às coisas boas que a cultura cristã semeou pelo mundo. Aliás, o próprio Cristo era amigo de uma prostituta, que virou santa, posteriormente. Aproveitem amigos, encham seus corações de paz e harmonia. Quando escuto essa missa, sinto as paredes do quarto me acalentarem, um aconchego inocente que há muito se perdeu do lado de fora da janela.

Regensburger Domspatzen (copiar e colar no navegador):

http://www.4shared.com/file/189365243/4508ddd9/Giovanni_Pierluigi_Da_Palestri.html


3 comentários:

Misturação - Ana Karla Tenório disse...

Bom dia Dodô!
Vim parar aqui no seu blog por causa de Atapuz.
Muito bacana seus textos e seu ponto de vista.
A seguir já!
Abraços.

Dodô disse...

Obrigado, Ana Karla. Você costuma ir à Atapuz? Aquela praia é um paraíso de tranquilidade.

Ane disse...

Muito bom, Dodô! :)

Essa música trouxe a sensação de paz que eu raramente encontro em minha alma...

Beijos,
Ane