sexta-feira, 1 de maio de 2009

Smolensk e Mikhail Glinka




Olá amigos visitantes do blog. Espero que estejam todos em paz. A partir de hoje vou fazer algumas postagens em que pretendo envolver dois temas que sempre gosto de analisar ou resgatar: as cidades e seus ilustres cidadãos. Hoje, gostaria de postar sobre o compositor russo Mikhail Glinka, um artista que pode ser considerado um dos pilares que sustentam a cultura russa no século XIX em seu período romântico. Glinka foi o primeiro a escrever óperas em língua russa. Também é considerado o pai da música erudita naquele país que, posteriormente daria ao mundo, artistas conceituados como Piotr Ilitch Tchaikhovski, Modest Mussorgskii, Rimski-Korsakov, Sergei Prokofiev, Sergei Rachmaninov, entre tantos outros. Assim como a literatura russa não poderia se desenvolver sem a competência de Pushkin, a música talvez não tivesse o mesmo impulso se não houvesse a presença histórica de Glinka.

Glinka nasceu em Smolensk, uma cidade muito antiga que já no século IX d.C. gozava de importante prestígio para o comércio do leste, pela rota do Rio Dnieper. A mãe das cidades russas, Kiev, era capital de um reino importante que servia de ligação entre o comércio realizado entre Vikings suecos, Bizantinos e até Árabes. Quando se imagina que a Idade Média é um período de estagnação e atraso, é porque os historiadores ficam muito presos ao que acontece na França, Inglaterra e Alemanha (aliás, esses nomes nem existiam como nação), porque no leste europeu era constante a troca de conhecimentos e comércio, desde o Báltico até o Mediterrâneo Bizantino.

A cidade de Smolensk é de uma importância transcedental para o povo russo. Ela é um símbolo de luta do povo e do amor que os mesmos tem em relação à fria terra. Smolensk foi destruída pelo menos três vezes, sendo reconstruída posteriormente. A primeira derrocada vem com a invasão dos mongóis no século XIII, sem falar nos assaltos feitos pelos Petchenegues, povos da estepe que causaram tormentos constantes ao Principado de Kiev. Smolensk padece para ser reconstruída no resplandecer do Império Russo. A cidade já esteve sob domínio da coligação Polônia-Lituânia, quando estes foram os maiorais do leste, após a retirada dos mongóis. Smolensk foi novamente arrasada quando da invasão napoleônica, na primeira década do século XIX. Queimada e reconstruída. A terceira importante devastação virá na invasão nazista em 1941-42, que possui no filme Vá e Veja (Иди и Смотри) um belíssimo, embora triste, relato da crueldade com que os germânicos invadiram a Belarus e a Rússia. Por essa capacidade de ressuscitar, Smolensk é uma das cidades mais importantes da Rússia, ainda hoje.

Essa ópera de Glinka que deixarei para vocês no final da postagem é interessante, além de ser belíssima (se os estruturalistas lessem isso...), porque narra a história de um camponês chamado Ivan Susanin, um homem simples, detentor de terras, que em lealdade ao Tsar russo Mikhail I Romanov encontrará a morte para defender essa região de fronteira das mãos do império polonês. Não duvidem amigos, aqueles povos do leste possuem diversas razões para rivalizarem entre si, pois toda aquela faixa de terra entre Varsóvia e Moscou foi disputada palmo a palmo com muito derramamento de sangue. Como essa ópera é nacionalista, vai exaltar as qualidades desse detentor de terras que conseguiu ser fiel ao Tsar, mesmo pagando com a morte. Espero que vocês gostem, tenho me deleitado bastante nas última semanas ouvindo Glinka. Ah, prometo para muito breve uma surpresa tupiniquim. Gostaria de dizer sobre a ópera Ivan Susanin: Uma Vida pelo Tsar, que os tenores são maravilhosos ou que no terceiro ato há uma mudança de notas altas para baixas. Mas não, não sou capaz de analisar a melodia como um músico. Não sou digno de fazer qualquer crítica, admito antes de tudo. Porém, nem Mallarmé, nem Ortega y Gasset, nem Barthes, poderão diminuir minha capacidade de me emocionar ao ouvir uma música de Beethoven ou de Glinka, simplesmente por não conhecer as notas ou não poder ler o som. Por hoje é só, segue abaixo os links para baixar a ópera completa, além dos arquivos em pdf. Após baixar as três partes que contabilizam duzentos e trinta e poucos megabytes, vai aparecer um pedido para digitar uma senha, esta se chama: "parol", que significa senha em russo, não se esqueçam. Saudações!

1ª parte: http://rapidshare.com/files/158886757/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part1.rar

2ª parte: http://rapidshare.com/files/158892891/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part2.rar

3ª e última parte:http://rapidshare.com/files/158894928/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part3.rar


senha: parol

Um comentário:

Anísio disse...

hahahahahahahaah... ô Dôdo, esse moço Ortega e Gasset realmente eu não conheço, mas os outros ditos estruturalistas (nem digo mallarmé que nem era mais vivo na época do estruturalismo), mas Barthes não é uma revolta a emoção, nem a possibilidade de se admirar com o velho Ludwig... mas é como se fosse libertar o homem dele próprio, vc sabe mais do que parece sobre isso meu caro... quantos devires-animais, quantos corpos-sem-orgãos, quantas mortes, quantos devires-inumanos teu corpo é testemunha????