quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mestre e Margarida (Мастер и Маргарита)



Olá queridos visitantes, espero que estejam bem e que se o demônio estiver ao seu lado, que esteja bem intencionado. Hoje, resolvi postar sobre essa obra do grande escritor russo Mikhail Bulgakov, chamada Mestre e Margarida. Essa obra é, infelizmente, muito pouco conhecida no Brasil. Acho que na biblioteca da UFPE não temos esse livro. Conheci essa história através da minha professora de russo, a ilustríssima Larissa Chevtchenko, que juntamente com o outro aluno, Marcone, pegaram a cópia do filme pela internet. Na realidade, é uma série. São 10 horas de filme, onde todos os diálogos presentes no livro se encontram no filme. Detalhe: o filme é em russo e não tem legenda.

Quando eu estava viajando para o ENEH em Florianópolis, no ano de 2006, conheci uma estudante paranaense, chamada Máira, que por coincidência, tava terminando de ler Mestre e Margarida que ela tinha tomado "emprestado" (tomara que ela não fique chateada com esse furo de reportagem) da biblioteca da UFPR. Travamos amizade e ao último dia do congresso, ela me deu o livro, um tanto comprometido. Comecei a ler na volta no ônibus e o livro, simplesmente, me prendeu. Bulgakov, que era muito querido por Stálin que adorava assistir suas peças, escreveu o livro entre 1936 e 1940, mas só o pode divulgar em 1960, depois da morte de Stalin, quando a literatura pôde se desintoxicar um pouco da fuligem do calabouço.

O livro, que é uma grande paródia ao período stalinista, se passa na Moscou dos anos 30, onde a comitiva de Satanás vem banquetear-se com os mortais. Na primeira cena, o demônio, ou melhor, o Professor em ciências ocultas, Woland, está passeando pelo Largo do Patriarca, numa tórrida manhã de verão e dá de cara com um famoso literato, Berlioz e um jovem poeta, Ivan Biezdomny. Os dois conversando sobre Jesus enquanto personagem histórico. Se ele realmente teria existido e se tudo acontecera como as pessoas acreditam até os dias de hoje. Woland se interessa pelo assunto e pede para intrometer-se na conversa. A partir daí começa uma belíssima narração onde Woland começa a contar detalhe por detalhe o dia da execução de Cristo, seu debate com Pilatos e o "sopro" que ele teve que dar no ouvido de Caifás para condenar Jesus. Meus amigos, possam crêr, a narrativa da morte de Jesus pelo demônio é comovente! Por mais que pareça uma heresia, o demônio nutre um profundo respeito pela figura do Cristo.

A partir de então, a comitiva do demônio, composta pelo Professor Woland (ele próprio), Koroviev, Azazello e um gato preto enorme que anda nas patas traseiras e fala, chamado Behemoth, vão fazer as maiores estripulias na cidade. No Teatro de Variedades vão dar uma sessão de ilusionismo que vai causar furor entre os cidadãos moscovitas. Ainda nos dias de hoje, o apartamento número 50 da Rua Sadovaia é ponto turístico no centro de Moscou.

Não vou narrar toda a história porque quero que vocês leiam e sintam a culpa e o arrependimento de Pilatos e a ironia do escritor para com o stalinismo, desde o debate sobre a existência de Jesus enquanto personagem histórico até o show de ilusões no Teatro de Variedades. É uma crítica muito sutil ao regime socialista. Por favor, não venham me dizer que o stalinismo não é socialismo! O Brasil é o único lugar do mundo em que os burgueses são comunistas e o socialismo é cristão.

No final de tudo, a história do Mestre e seu romance com Margarida se tornam coadjuvantes, à medida que a trama vai se desonvelvendo até culminar no Grande Baile de Satã e na libertação de Pilatos. Falando tantas sandices, fico me colocando no lugar de vocês, devem pensar que não estou falando coisa com coisa. Implorei a Rodrigo que lesse o livro, prá ter com quem debater, depois de muito insistir, ele começou a ler e não conseguiu se separar até terminar. E debatemos sobre o livro e acrescentou bastante ao aprendizado (nossa, quanta pedagogia!) Chega, leiam o livro!

Notas sobre a Violência


Olá queridos visitantes, hoje gostaria de tratar de um assunto que está muito próximo de nós brasileiros, mais ainda dos moradores da manguecéia, que é a violência urbana. Todos nós sabemos que o ser humano tem seus impulsos agressivos e que a guerra e a violência citadina existe desde que os primeiros homens resolveram se juntar em coletividade. A questão é quando essa violência extrapola os limites do tolerável para uma convivência em comunidade. Muito se fala pelas academias que a violência é um reflexo do nosso atraso econômico e do nosso subdesenvolvimento cultural, porém, como podemos explicar que existe criminalidade em países bem estabelecidos, como Canadá, Noruega ou Japão?



Na nossa cidade, os assaltos sempre fizeram parte do nosso cotidiano. Quando eu era criança e estudava no centro do Recife, sempre via perambulando pela rua, os famosos "cheira-cola", ou "trombadinhas", como queiram. E eles assaltavam as outras crianças e mulheres com cacos de vidro na mão, e muitas vezes, até nos convaleciamos de sua triste situação, depois que a raiva da perda do objeto passava. A questão é que o maior problema de assalto na nossa cidade não é mais do pobre trombadinha que roubava um relógio ou um trancelim, os "novos" assaltantes de hoje, assaltam por conta de uma doença social que toma conta de muitas cidades grandes do Brasil, que é a chegada do crack. Não sou químico para dar uma abordagem correta dos efeitos do crack num ser humano, mas é certo, empíricamente, que essa droga tem um poder de destruição infinitamente maior do que as outras e que já derrubou muito "neguinho" experiente por aí.



Sei que esse papo pode parecer careta da minha parte, entretanto, eu sou a favor da legalização de algumas drogas recreativas que estimulam o pensamento e o conforto dos usuários, desde que usadas de forma consciente. Por exemplo, um cidadão que toma um LSD, jamais deverá guiar um carro, ou coisas desse tipo. Mas, em relação ao crack, percebemos que se trata de uma doença, mais social do que física. Ele degenera a moral. Eu trabalhei durante muitos anos em comunidades carentes do Recife, seja como professor ou como assistente social, e cansei de ouvir relatos de pessoas que vendiam a televisão da mãe, que se prostituíam e que passaram a roubar para sustentar o vício. A chegada do crack na nossa cidade consta de, aproximadamente, cinco anos e é esse o período em que houve um boom de criminalidade na cidade do Recife. Para mim, o determinismo nesse caso é bastante justo.



Em cidades como o Rio de Janeiro, os traficantes locais "apagam" os consumidores de crack e os negociantes, porque eles vêem essa droga como extremamente danosa ao seu comércio ilegal. De que maneira isso se dá? Ora, o Tráfico no Rio se sustenta, basicamente, do consumo de cocaína. O consumidor dessa droga pode passar anos e anos como cliente, ficando vicíado depois de um tempo, logicamente, mas sem trazer a degradação moral que o crack traz. Porque o crack vicia e destrói rapidamente, então não é lucrativo para os traficantes do Rio de Janeiro que essa droga se estabeleça por aquelas bandas. Aqui no Recife, essa droga criou ramificações e contaminou diversas camadas da sociedade. O fenômeno resulta nas ruas, nos próprios assaltos. Antigamente, os trombadinhas roubavam relógios e celulares e os ladrões adultos roubavam carros novos e assaltavam bancos e supermercados. O que vemos hoje é uma multiplicação dos assaltos, onde homens viciados roubam o que estiver ao alcance, desde carros velhos, bermudas, celulares ultrapassados; enfim, tudo o que puderem trocar por 30, 40 reais e consumirem de crack. Os que ficam devendo 100, 150 reais e não tem mais como pagar, quitam o débito com a própria vida, é o que constatamos diariamente. Daí, na nossa cidade contarmos com a mais nova atração turística, o Contador de Homicídios. Quando passamos no ônibus de 11:30 da manhã já temos 13, 14 mortos por assassinato.



O assunto é polêmico e o que eu escrevi não é, necessariamente, a verdade. É apenas a visão de como enxergo a avalanche de assassinatos e assaltos que assola o Recife de uns anos pra cá. Repito: Recife nunca foi o paraíso dos capuchinhos, sempre houve violência e desmandos na nossa cidade, mas é inegável que esse período atual é, sem dúvida, o mais violento da nossa história.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Bolsa Caiu


Olá amigos que acompanham meu blog. Estive ausente nos últimos dias, pois estava bastante ocupado. Vocês sabem, pois assistem TV e lêem jornal, que o mundo está em crise. Hoje, oficialmente, o Japão admitiu estar em crise. Os japoneses perderam o costume de comprar uma televisão de 98 polegadas a cada ano. Agora, só comprarão de dois em dois anos. Nesse último fim de semana, praticamente não dormi, acompanhando o sobe e desce (mais desce do que sobe!) da bolsa de valores. Tentando me esquivar da crise que assola o sistema financeiro dos países do primeiro mundo, comprei ações das bolsas ditas periféricas. Meus amigos, não foi nada fácil! A bolsa de Macau fechou, na madrugada de sábado para domingo numa vertiginosa queda de 7.84% afetando minhas ações na Woo-Ping, empresa que fornece bamboos para os pandas chineses, normalmente lucrativa. Devido a essas intempéries, tive que me desfazer da metade das minhas terras na Suazilândia, vendendo parte da minha savana para uma empresa sulafricana de turismo.



O pior de tudo foi imaginar que enquanto muitas pessoas se divertiam em festas e eventos, eu tentava acompanhar, simultaneamente, o desenrolar das bolsas de Macau e Islamabad, através de uma rádio de Bangalore, que trata única e exclusivamente de assuntos ligados ao comércio internacional. Se não fosse esse tão importante meio de comunicação, com certeza absoluta, não restaria nem uma foto de zebra das minhas terras suazilandesas. A recessão continuará e quem não estiver engajado em defender seu patrimônio, como estou, poderá ficar à mingua do novo reinado de Genghis Khan que se aproxima. Sim, um império do oriente se aproxima mais uma vez e promete não aliviar com o ocidente. Logo agora, que o mundo judaico-cristão (que expressão batida) parece ter encontrado certa homogeneidade! A Europa, por exemplo, já não briga entre si e criou até uma União oficializada. Nos Estados Unidos, um negro foi eleito presidente e em breve os mexicanos poderão ser considerados cidadãos! Se até os Estados Unidos e o Japão estão em crise com a (pós) modernidade, que diremos nós pobres seres individuais, indefesos e tristes. O citibank vai fechar o halifax já embarcou dessa pra uma pior. Não existe crise sem mortes.



Meus amigos, sugiro que mantenham suas reservas de ouro e diamante para o ano de 2009, que promete ser o ponto culminante dessa crise. O barril de petróleo está por 55 dólares, uma ninharia! Ainda esta semana viajarei para Frankfurt para dar uma palestra para banqueiros estonianos e finlandeses, preocupados com a diminuição dos preços do pescado no Mar Báltico. Espero que nesses próximos dias o dólar se estabilize no Brasil, tenho grande confiança no meu amigo particular, Dr. Henrique Meirelles, que vai saber contornar a crise internacional sem mergulhar a nação emergente no buraco. Só volterei ao Recife no dia 26 de Outubro, precisamente para assistir o show de Tom Zé. Daqui pra lá, meu nome é trabalho! Os acionistas necessitam de minha especulação e minha agenda está cheia. Mas, prometo postar notícias dos lugares por onde andarei. Estou com a idéia de falar algo sobre a banda inglesa, Queen. Uma banda tão ímpar que o guitarrista Brian May foi o primeiro roqueiro da história a ser PhD em alguma coisa. Ele escreveu sobre a teoria do Big Bang. Isso é papo pra outra história. Falando em história, ninguém deu nome pra essa crise. O surgimento do universo é o Big Bang, a quebra da bolsa em 1929, ficou conhecida como o Crack de Nova Iorque. Aquí no Recife, a crise do Crack é outra e tem arrastado até fusquinha das ruas. Daqui pra Frankfurt vou propôr um nome oficial pra essa crise, quem sabe "Tsunami Financeira", "Aviões em Mannhattan", ou ainda "Nem Osama nem Obama, volta Bush de Lama". Daqui pra lá, espero que a minha fertilidade mental reapareça. Saudações alvirubras! 5x2. Pelas bandas dos Aflitos a crise se foi. Abraço.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sunday Morning Coming Down



Na falta de um assunto de primordial interesse, vou escrever sobre o cotidiano. Hoje, às cinco da manhã desci do fusquinha de Yuri, que carona salvadora! Imaginem voltar do centro da cidade de ônibus em deplorável estado de embriaguez... isso nunca dá certo. Desci do fusca e em meio à cambaleante realidade, avisto no horizonte a alvorada, com seus raios amarelo-claros, os pássaros cantando, um vira-lata atravessando uma encruzilhada sem medo dos carros, a rua que se espraia para o alvorecer.



Na realidade, inicio minha narrativa pelo final (calma, isso não é mais um roteiro de filme pós-moderno!), quando na verdade gostaria de perpassar meus olhares sobre uma noite de sábado no Recife. Ao me lembrar do belo amanhecer em minha rua, inevitavelmente me conecto ao início de minha jornada em busca do prazer mundano, minha opereteante busca pela felicidade. Ao cair da tarde, um aniversário infantil no bairro do Parnamirim. Não vou relatar nada sobre a festa, porque não tem o que comentar. Festa de criança é tudo igual. Fiquei por lá, conversando, bebendo, socializando. Na verdade, o que me chamou a atenção em tudo é como o horizonte desaparece nesses bairros de classe média superpovoados com prédios de 20, 30 andares. Ao olhar pra cima, confesso, sentia medo daqueles monstros de concreto. Soube de uma história que num reveillon um jovem foi estourar o champagne na varanda e a garrafa escorregou. Não caiu na cabeça de ninguém. Mas, que morte mais banal, seria. No primeiro sinal do novo ano, uma marretada de champagne que vomitaria miolos por um raio de cinco metros. Depois dessa história, foi que não relaxei mais. Num sábado a noite, todos os térreos desses prédios tem festas de aniversário ou churrasquinhos movidos a pagode e axé, muita lascivia e gritaragem. Ao redor do prédio onde eu estava pude observar três festas que ocorriam simultaneamente. O tempo vai passando e o whiskey vai relaxando os nervos. Estou pronto para o próximo estágio.



Vou para o Recife Antigo. Show de Nação Zumbi no Marco Zero. Muita gente na rua, parecia carnaval, licença pra lá, empurrão prá cá. Garrafas se quebrando no chão, catadores de latinhas, o comércio de drogas deprê, músicas indecifráveis ao longe e a multidão buscando prazer, assim como eu. O prazer e a razão. Abandono-me da razão para tentar esbarrar no prazer e aí ocorre a grande virada da noite. Perde-se o espírito zaratustriano e mergulha-se no inferno de Dante. Quanto mais bestial, melhor o status. Enfim, não existe nada de novo. Recife Antigo e depois Garagem. Tenho certeza que meus leitores já experimentaram essa situação. O inferno já perdeu seu brilho e é hora de esperar a carona. Ao longe, o céu começa a ganhar leves contornos róseos. A última dose de vodca. Vem aquela velha reflexão: "Estou ficando velho." Ou então: "Será que eu ainda preciso disso?" Volto pra casa sabendo a resposta, mas sem forças pra tomar qualquer decisão. O fusca, quase solitário, atravessa a Avenida Caxangá em direção ao Engenho do Meio. À medida que os minutos passam, o azul vai ficando mais claro, nas ruas as pessoas saudáveis saem para o exercício matinal, o carro estaciona à porta da minha casa.


A rapsódia está concluída. Desci do fusca e em meio à cambaleante realidade, avisto no horizonte a alvorada, com seus raios amarelo-claros, os pássaros cantando, um vira-lata atravessando uma encruzilhada sem medo dos carros, a rua que se espraia para o alvorecer.



"Oh Lord it took me back to something that I lost somewhere, somehow along the way.

On the sunday morning sidewalk, I´m wishing Lord, that I was stoned, ´cause there´s something in the sunday that makes the body feel alone.

And there´s nothing short of dying that's half as lonesome as the sound of a sleepin' city sidewalk And Sunday mornin' comin' down." Johnny Cash.
p.s.1: um vídeo pra ilustrar: http://www.youtube.com/watch?v=NoSHIUmpF6M
p.s.2: foto de Diogo Luna.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Stare Dobre Małżeństwo



Olá amigos, resolvi postar um comentário a respeito dessa banda que faz um som lindo, suave e bem harmônico. Eles são da Polônia e se chamam Stare Dobre Małżeństwo(Bom e Velho Casamento), sua levada lembra um pouco o folk do Belle and Sebastian e do Simon and Garfunkel (isso é um elogio). Eu não entendo quase nada de polonês, exceto as palavras que se parecem com o russo, mas graças ao esforço de amigos virtuais consegui a tradução de uma das minhas músicas favoritas pro inglês, chama-se "jak". O que caracteriza esse grupo, além da qualidade dos músicos é que eles adotaram uma maneira diferente de composição, eles simplesmente musicam poesias polonesas, principalmente de Edward Stachura. O grupo goza de forte sucesso em seu país e consegue fazer um som agradável com letras inteligentes e sem aquele ar presunçoso. Vou deixar um vídeo de uma apresentação ao vivo que retirei do youtube, se vocês gostarem, procurem no emule que tem vários discos deles por lá. E se se interessarem por outros bons artistas poloneses, deixo Marek Grechuta como opção, brinco comigo mesmo (com quem mais posso fazer esse tipo de comentário?) que ele é o Nick Cave da Polônia. Vou deixar o vídeo e a letra da música Jak traduzida pro inglês. Agradeço a uma polonesa chamada Ania pela tradução, mesmo sabendo que ela não lerá isso.

link youtube: http://www.youtube.com/watch?v=xd4zslZmUjg

Jak
Like/how
Jak po nocnym niebie sunące białe obłoki nad lasem
Like white clouds nosing over forest in the night

Jak na szyi wędrowca apaszka szamotana wiatrem
Like scarf on hiker’s neck flapping on the wind

Jak wyciągnięte tam powyżej gwieździste ramiona wasze
Like yours helpfully hands ( I don’t know how to translate ‘wyciągnięte tam powyżej gwieździste” ‘wyciągnięte’ means ‘hold out’, tam = ‘there’, powyżej = ‘above’, „gwieździste” = means ‘full of stars’ or ‘ shining’

A tu są nasze, a tu są nasze.
And here are ours, here’re ours

Jak suchy szloch w tę dżdżystą noc
Like dry sob in that pluvial night

Jak winny - li - niewinny sumienia wyrzut,
Like guilty – guiltless prick

Że się żyje, gdy umarło tylu, tylu, tylu.
That we’re still alive, when so many, so many, so many people died

Jak suchy szloch w tę dżdżystą noc
Like dry sob in that pluvial night

Jak lizać rany celnie zadane
How to cure hard injury (in psychical meaning)

Jak lepić serce w proch potrzaskane
How to cure heart’s wounds (in unmet love)

Jak suchy szloch w tę dżdżystą noc
Like dry sob in that pluvial night

Pudowy kamień, pudowy kamień
pudowy stone, pudowy stone

Jak na nim stanę, on na mnie stanie
When I stand at it, it will stand at meOn

na mnie stanie, spod niego wstanęit
stand at me, but I’ll get out of it.

Jak suchy szloch w tę dżdżystą noc
Like dry sob in that pluvial night

Jak złota kula nad wodamilike
gold ball on the lakeside

Jak świt pod spuchniętymi powiekami
like new day for swelled eyelids

Jak zorze miłe, śliczne polany
Like nice northern lights, beautiful clearing

Jak słońca pierś, jak garb swój nieść
like sun, how to live
Jak do was, siostry mgławicowe, ten zawodzący śpiewlike
this yelling song, for you, misty sisters. (sister of mist )

Jak biec do końca, potem odpoczniesz, potem odpoczniesz
how run to finish, you’ll rest later, you’ll rest later,

Cudne manowce, cudne manowce, cudne, cudne manowce
Beautiful deserts (place without people), beautiful deserts beautiful deserts

Na, na, na... Jak biec...
how run
Jak biec... Jak biec...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Estudando a Bossa




Alô amigos e visitantes desse blog. Ontem tentei baixar o disco novo de Tom Zé pelo emule e não consegui encontrar, por ser muito recente ainda. Então, andei xeretando pela internet e aqui está o link do novo disco. Estou ouvindo-o nesse exato momento que estou postando. Não posso emitir opinião porque ainda tô ouvindo pela primeira vez, mas logicamente, tem uma levada de bossa nova em todas as músicas. É isso, Tom Zé sempre vale a pena!


http://rs561.rapidshare.com/files/160379805/UQT2008_Tom_Ze_-_Estudando_A_Bossa.rar

Mogilev (Mohilióv, могилев)








Mogilev é uma cidade da Bielo-Rússia, ao sul da capital Minsk, e um distrito importante da região. Cidade antiga. Vou deixar abaixo um link pra vocês terem informações básicas e enciclopédicas a respeito dessa cidade, fundada na era medieval. Num tempo em que o comércio fluvial interligava boa parte do leste europeu, pela bacia do Rio Dnieper.


O rio Dnieper (existe também o Dniester, mais ao leste do mapa), é um rio fundamental da História da formação dos países do leste europeu. Diria que vai muito além do Leste, é um rio importante também para o contato entre bizantinos e árabes com os vikings suecos. Nos dias de hoje, essas cidades acinzentadas da Ucrânia e Bielo-Rússia são, normalmente, cidades industriais, geladas, com aquele ar de socialismo e extração de minerais e gases.




Quem me vê falando assim, talvez pense que eu conheço a região, né? Isto é apenas um excêntricidade! As propagandas de refrigerante exigem que sejamos diferentes e originais. Wooow! Esse foi meu jeito de ser original. Pois bem, resolvi me interessar por estudar as coisas dessa região do planeta. Não tenho descendência desses povos nem nunca viajei pra fora do Brasil. Mas, é uma excentricidade. Sempre gostei de folhear as páginas de enciclopédias e mapas da Terra. Quando eu tinha sete anos eu sabia todas as capitais do mundo. E tenho testemunhas! Na biblioteca do falecido Colégio Marista do Recife, com seus azulejos azuis e vasta coleção de enciclopédias, eu visitava as cidades e países.




Dessa forma, eu gostava de imaginar as regiões, por fotos eu via os povos e suas culturas. Atualmente, a internet tem me ajudado a ampliar esses conhecimentos, inclusive me tornando razoavelmente íntimo de pessoas que nunca imaginei conhecer. Por exemplo, eu converso no msn com uma inglesa do interior há 6 anos e uma jovem de 19 anos de Baku, Azerbaijão. Treinamos russo pela internet, embora o meu seja bem precário, como um silvícola e um urbanóide. Mas, assim vamos conhecendo outras coisas e respeitando. Vocês sabiam que os vizinhos azerbaijanis e armênios são inimigos vorazes?? Pois bem, dois pequenos países, vizinhos, espremidos pelo Mar Negro e o Mar Cáspio, e que não se toleram, historicamente.




A surpresa reside em nossa ignorância. Quando criamos imagens que nos são passadas pela tradição, antiga ou inventada, desses países, fechamos as portas para riquíssimas culturas e conhecimentos. Formas de arte que relatam outra realidade, ou ausência de realidade, ou fuga da realidade. Várias possibilidades de conhecimento. Jorge Luís Borges gostava de brincar com os mapas em suas ficções, essas se passavam numa cidade no interior da Irlanda, numa cidade do interior do Uruguai ou numa cidade imaginária perto do Cazaquistão.




Para a maioria de nós, Moguilev é apenas uma cidade desconhecida de um país desconhecido. Talvez não haja um grande artista famoso na cidade, nem um acontecimento histórico relevante, mas meu dever é esse, lançar olhares para coisas distantes, que se perdem na penumbra da cegueira, que são engolidos pela linha do horizonte até que a própria visão se torne uma criação. Sejam bem-vindos a Moguilev. O link é do wikipedia mesmo.




terça-feira, 4 de novembro de 2008

Luz de Inverno

O pastor e o Corcunda
O pastor e Jonas

Meus amigos e amigas, aquí na minha escrivaninha, possuo um caderno onde anoto as coisas que considero interessantes nos livros que leio, nos filmes que assito, numa palestra que escuto. Ao folhear essas páginas, dei-me com dois diálogos do filme Luz de Inverno do grandioso cineasta sueco Ingmar Bergman. Eu não compreendo muita coisa de fotografia, edição de imagens. Deus não me deu um dom artístico que fosse de grande valor, mas me deu sentidos capazes de admirar as grandiosidades e maravilhas realizadas pelos grandes homens. Esses homens tão admiráveis que conseguem se elevar da realidade cotidiana e encher de luzes fractais nossa triste caminhada.



Em Luz de Inverno um pastor encontra-se em profunda crise após a perda de sua esposa. Não reconhece Deus e ainda sim tem que guiar almas desesperadas para um caminho que não acredita, e pior, que sabe não existir. O pastor (Gunnar Björnstrand), ao final de uma de suas obrigações religiosas (culto), recebe a visita de Jonas (Max von Sydow), homem profundamente desenganado de sua missão na terra e da necessidade de viver.



Calma. Preciso de um intervalo na narrativa. Não posso passar pelos nomes de Gunnar Björnstrand e Max von Sydow sem deixar minha profunda reverência a esses atores, esses próceros espectros das mais belas imagens do cinema. Que perfeita sintonia! Vida eterna ao cavaleiro Antonius Block e seu escudeiro Jöns!


Esse desafortunado homem que deposita no pastor sua última esperança de conseguir achar uma nova razão para viver, uma flor azul romântica, um novo destino. Eis que esses homens desesperados vão colidir suas frustrações na sala do pastor, após a missa. A fala inicia-se com o pastor:

"_Percebe que erro monstruoso eu cometi? Um sacerdote ignorante, infeliz e ansioso. Fazia minhas preces para um Deus-eco... que me dava respostas agradáveis e bençãos tranquilizadoras.

Toda vez que confrontava Deus com questões reais, percebia... que ele se transformava em algo feio e revoltante.

Um Deus-aranha, um monstro.

Então, tentei colocá-lo a parte da vida... mantendo a imagem que tenho dele só para mim. A única pessoa a quem mostrei meu Deus foi minha esposa. Ela me apoiou, me incentivou e me ajudou. Tapou os buracos. Nossos sonhos.

_ Eu tenho que ir.

_ Não vá. Quero que entenda porque falo tanto de mim. Para que perceba o quanto sou infeliz. O coitado que...

_ Tenho que ir ou Karin ficará preocupada.

_ Fique um pouco mais. Vamos conversar com calma. Me pordoe por falar de forma tão confusa... Mas, de repente, isso tudo veio à tona.

Se Deus não existe... Isso realmente faria alguma diferença?

A vida se tornaria compreensível. Seria um alívio. E a morte seria a extinção da vida. O fim do corpo e do espírito. Crueldade, solidão e medo... todas essas coisas seriam claras e transparentes. O sofrimento é incompreensível, portanto não exige explicação.

Não existe um criador. Nenhum provedor da vida. Nenhum desígnio.


[Jonas sai em silêncio]


Deus... Por que me abandonaste?"



Após o tenso debate, Jonas se suicida. O pastor segue sua triste e covarde trajetória. Na outra cena que resolvi destacar, ele conversa com o corcunda que o ajuda nos trabalhos da Igreja. O corcunda inicia o diálogo:



"_ Uma vez lhe disse que minhas dores não me deixavam dormir à noite e me sugeriu que eu lesse.

_ Eu me lembro.

_ Para me destrair. Comecei a ler o Evangelho. Devo dizer que é um excelente sonífero... Pelo menos de vez em quando. Agora, estou na parte da Paixão de Cristo e as dores pararam. Por isso, pensei em discutir com o senhor. A Paixão de Cristo. Seu sofrimento. Não acha que é um equívoco enfatizar Seu sofrimento?

_ O que quer dizer?

_ Enfatizar a dor física. Não pode ter sido tão ruim. Posso parecer presunçoso... mas, humildemente digo... que sofrí tanta dor física quanto Jesus. E Seus sofrimentos foram breves. Duraram umas quatro horas, certo?

Sinto que ele sofreu muito mais em outro aspecto.

Talvez eu esteja errado.

Mas, pense em Getsêmani, pastor. Todos os discípulos de Cristo adormeceram. Eles não haviam entendido o sentido da última ceia. E quando os guardas chegaram, eles fugiram... e Pedro O negou. Cristo já conhecia seus discípulos há três anos. Eles conviviam dia e noite... mas nunca entenderam o que Ele pretendia. Eles O abandonaram, todos eles. Ele ficou totalmente sozinho. Isto deve ter sido um grande sofrimento. Perceber que ninguém o compreende. Ser abandonado quando precisa contar com alguém. Isto deve ser extremamente doloroso.

Mas, o pior ainda estava por vir. Quando Cristo foi pregado na cruz, em meio ao sofrimento... Ele gritou: 'Deus, meu Deus! _ Por que me abandonaste?' Ele gritou tão alto quanto podia. Ele achou que o Seu pai o havia abandonado. Achou que tudo que havia pregado era mentira.

Nos momentos que antecederam Sua morte, Cristo teve dúvidas. Certamente, aquele deve ter sido Seu pior sofrimento. Deus ficou em silêncio."







"Ser abandonado quando precisa contar com alguém." Esta também foi a falha do pastor. O corcunda tratou de lhe encriminar em sua culpa. Ao final, não existe justiça, apenas um incomensurável vale de tristeza. Também assim, Nietzsche classifica os homens ao dizer que o intelecto foi concedido para auxiliar o mais infeliz, delicado e perecível dos seres. Amigos, não neguemos uma palavra de motivação uns aos outros, nesse mundo cada vez mais agressor.


Saudações.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Provocações




Vou falar um pouco sobre esse programa da Tv Cultura que abrilhanta e estimula nossas noites de domingo. Aliás, a Tv Cultura e sua programação noturna de domingo é um oásis no meio de tanta idiotice que claustrofobiza nossas mentes. Nesse último domingo, o prgrama Clássicos apresentou uma orquestra (não me recordo o nome porque quando comecei a assistir já estavam na execução) interpretando o Réquiem de Mozart. Café Filosófico, Entrelinhas e até um reality show para revelar novos músicos eruditos.


O que mais me admira no Provocações é a liberdade concedida ao entrevistado no final do programa, onde Antônio Abujamra pede que o convidado relate as emoções que sente após ser aguçado a revelar seus conhecimentos.


No site do programa Provocações podemos encontrar momentos importantes que marcaram os encontros passados, os poemas e citações narrados no final e no início do programa. Entre essas citações escolhi essa de Fernando Pessoa, ao final deixarei o link para quem quiser ler as poesias e ainda ouvir a imperiosa narração de Abujamra. p.s.: Estou em débito com os escritores brasileiros. Machado vem aí!


Fernando Pessoa (citação):


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.




Eu e o Mosquito

Eu e o Mosquito

Eu sou um cara muito normal ou um cara estranho?
Se o mosquito que matei ainda dança e vive?!?
Definitivamente, uma boa música ressuscita nosso espírito, visto que, achava eu, estar morto há algum tempo.
Achava o mosquito estar morto?
Ou estava como eu?
O amanhã dele chegou?
Ou me escondo por baixo do chinelo que o pisa?
... O mosquito capotou por mais cinco centímetros e morreu de novo.
Somente mais uma vez eu vejo a mesma cena, as mesmas faces... Que em nada tem a ver com o mosquito, mas que vivem aquí neste mundo de coisas que me pertencem por aluguel.
Um dia... Eu não desistirei, nunca!!
Como vive esse mosquito!!!
Sou eu menor que ele?
“Once again I’m in trouble with my only friend...”
Ah, mosquito!!


(2001)

Sobre o Mar dos Sonhos

Sobre o Mar dos Sonhos

Dê-me um lar, seguro.
Um mercado de flores
Um mar de alegria
Fique apenas ao meu lado
Durante todo o dia
De hoje
Apenas
Hoje sou eu quem manda
Manda na chuva
Manda no sol
Hoje
Somente hoje
Amanhã renunciarei
Aos meus absolutos deveres
Minhas obrigações mais covardes
Amanhã terei coragem de olhar dentro dos seus olhos
E ver o mar
O meu tão esperado mar de alegrias
Onde remarei prá sempre
Onde me lançarei nas cachoeiras
Onde brinco feito criança
Voando no mais mágico de todos os balões
Ouvindo a mais suave das canções
A mais bela voz de sereia
Que canta prá Ulisses
O pobre Ulisses
Com sua profunda dor e arrependimento
Com sua fé inabalável
Mas Ulisses um dia foi feliz
Ulisses já teve seu próprio mar
Onde também remou
Onde também amou
O tempo tem passado para mim
Que me perco na sua grandiosidade
Na sua gigantesca capacidade de ignorar-me
Me perco no vasto mar
Na profundeza das incertezas
Talvez daquí a alguns anos volte a ser hoje
Onde fui criança
Onde fui Ulisses
Meu tempo acabou
O dia também
Sei que como Ulisses
Voltarei a ser feliz
Talvez muito feliz
E por que não?
Não mais colocarei vírgulas em minha vida
A partir de hoje sou eu e o mar
E não terei medo de remar
Mesmo que sozinho
Sem flores por perto
Quero-as longe
Quero-as perto
Não sei o que quero
Perdido no mar.


(2001)

sábado, 1 de novembro de 2008

Alexei Karamazov

"Eu aceito Deus simples e retamente, mas não aceito esse mundo de Deus." Essa é a frase mais marcante de Alexei Karamazov em toda a epópeia de sua família. Esse personagem, jovem monástico, foi concebido para representar o futuro da humanidade em Dostoiévski. O pobre escritor nem em sua última obra, aquela que deixaria seu legado definitivo, conseguiu se livrar da dúvida da existência de Deus. Quando Dostoiévski perambulou pela Europa, despatriado, pobre e viciado na roleta, teve um filho chamado Alexei que morreu com 3 anos de idade, um pobre anjo, vivendo em algum recanto ofendido de Basiléia. 1867. Nesse ano, Dostoiévski e Nietzsche viveram nessa mesma cidade suiça, e não se conheceram. Nietzsche era um respeitado professor e Dostoiévski um miserável. Capaz de nunca terem se cruzado pela rua, e se sim, Nietzsche não se rebaixaria a trocar palavras com um russo mal vestido e mal aparentado.

Nesse contexto, o franzino Alexei Dostoievski adoeceu e o pai não teve como dar uma assistência adequada. Resultado: morte do garoto. Dostoievski profundamente endividado, jogava para pagar os débitos e se endividava mais. Tinha que sustentar o filho bastardo, Pavel. Além dos débitos do irmão, Mikhail, com a revista Vremya. Os nervos lutavam para se manterem fiéis para suportar o dia a dia, mas de vez em quando explodiam em erupões vertiginosas, cataclismas epilépticos, acessos de divina loucura... E assim Maomé visitou as mansões de Alá ao mesmo tempo que uma garrafa se esvaziava.

Alexei Karamazov recebeu esse nome graças ao filho que Dostoiévski perdeu em Basiléia, e esse filho morto renasceria em um personagem: bondoso, religioso, honesto e justo. Alexei deveria guiar a humanidade, seria o super-homem, o russo do futuro. Educado num mosteiro, haveria de ser exemplo para os outros homens, um juiz da concórdia e do amor de Deus. Entretanto, quando Alexei não aceita esse mundo de Deus e tem consciência de sua pérfida humanidade, desce de sua nuvem idealista e vem banquetear-se com os incautos, admite: "Eu também sou um Karamazov." Ou seja, também sou vil, bestial, vão. Nem quando tentou formular sua perfeição, Dostoievski conseguiu se livrar de sua condição humana. O homem que passou por ele nas ruas de Basiléia veio inspirar Nietzsche profundamente, reconhecendo não conhecer um outro espírito que conhecesse tão bem a alma humana quanto o pobre escritor russo. Dostoiévski é o homem naquilo que mais compreende sua essência: sua fraqueza.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Paixão de Cristo Segundo São Mateus (Matthäuspassion)




Prezados visitantes desse blog, vou terminar o dia de postagens com uma sugestão. Trata-se de uma obra grandiosa, daquele que talvez seja o maior artista da música de todos os tempos, o inigualável e incomparável, Johann Sebastian Bach. De antemão, informo que não entendo nada de partituras nem tampouco sou capaz de comparar, tecnicamente, Cecilia Bartoli com Emma Kirby. Mas, é impossível ficar impávido perante a grandiosidade dessa obra que, completa, tem três horas de imponência. Deixar-vos-ei os links das duas versões, onde inclusive, nesse blog maravilhoso, vocês lerão comentários realmente abalisados a respeitos dos artistas e das obras, muito mais técnicos que minhas ufanias.

Gostaria de postar a Paixão Segundo Mateus regida por Karajan, eu tenho no meu computador, mas não tô achando o link. É a mais arrebatadora, com a Filarmônica de Berlin rasgando as portas do paraíso. Mas, não tô achando. Fazer o que? Vou deixar vocês na mão?! Claro que não, meus ilustres visitantes! Vou passar primeiro o link da Paixão regida pelo belga Phillipe Herreweghe, linda demais e é a que mais se aproxima daquilo que Bach fez, porque tem menos músicos, 1/3 do que Karajan usa! Na verdade, tem apenas aquilo que Bach pensava mesmo. Essa versão é muito linda, mas repito, é mais simples, não rasga as portas do céu! Mas, é linda! Quem sou eu prá falar mal de tão nobres músicos... de quebra ainda vem uma oferenda musical. Baixem!

http://pqpbach.opensadorselvagem.org/j-s-bach-1685-1750-a-paixao-segundo-sao-mateus-e-a-oferenda-musical-harmonia-mundi-50-years-of-music-exploration-cd-7-8-e-9-de-29/

A sefunda versão é grandiosa como a de Karajan, regida por John Elliot Gardner. O primeiro coro, na abertura da Paixão é de fazer qualquer um se abismar e se emocionar com o sofrimento de Jesus. Rilke que não meixe mentir: "Durante o coro de abertura da Paixão Segundo São Mateus formaram-se à minha frente verdadeiras montanhas de dor." Nada mais!


http://pqpbach.opensadorselvagem.org/johann-sebastian-bach-1685-1750-a-paixao-segundo-sao-mateus-bwv-244/


Sinto-me com a consciência tranquila de que estou guiando-os para um belo caminho, meus amigos. Baixem as duas versões! É um prazer ouvir uma versão majestosa e a outra mais simples, mais próxima dos recursos do século XVII e XVIII. In Bach we trust!!

Fernando Pessoa II

Ah, Quanta melancolia!

Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.

Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu

Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

Aleksandr Pushkin








Aleksandr Sergueievitch Pushkin é até os dias de hoje considerado o maior poeta russo e ainda bastante reverenciado em seu país. Nascido em 1799, faleceu jovem em 1837, para defender a honra de sua esposa Natália Goncharova, cortejada pelo seu assissino, cujo nome nem merece ser mencionado, mas se o quiserem achar, procurem. Natalia Goncharova era considerada a mais bela mulher da Rússia (Meu Deus!) e se rendeu à excentricidade do jovem poeta. Quando digo excêntrico, não me refiro apenas ao comportamento turbulento que a maioria dos poetas tinham, ainda mais no Séc. XIX, mas sua diferença advinha do fato de seu avô paterno ser etíope, o General Gannibal que era homem de confiança do altaneiro Piotr I, o Grande. Desde cedo o poeta Pushkin gozou de grande prestígio nos salões e fez uma carreira de sucesso. Bem, isso vocês poderão achar em qualquer biografia pelo wikipedia, mas o que eu gostaria de comentar no meu blog (aquí me sinto livre pra pensar sem as arrédeas universitárias) é o legado deixado por ele para os escritores que vieram a fazer da Literatura Russa, talvez a mais rica de todas no Século XIX. Pushkin abriu o caminho para que o povo passasse a ouvir a literatura em sua lingua nacional, até então a pensava-se e emocionava-se em francês. Além disso, com suas obras, Pushkin mergulhou na identidade nacional de maneira decisiva onde suas obras vão abordar desde a realidade dos salões da nobreza até a imaginários dos mujiques. Se Pushkin não tivesse escrito uma obra impactante como "A Filha do Capitão" (капитанская дочь) talvez Lióv Tolstoi não sentisse a necessidade de escrever um romance histórico. Estou conjecturando, eu sei, mas vou pedir auxílio a um amigo que pode respaldar um pouco mais minha conjectura: Dostoievski, no discurso em homenagem a Pushkin em 1880, seis meses antes de sua morte e enquanto escrevia a última parte de Os Irmãos Karamazov, disse: "Se Pushkin não tivesse existido, os talentos que vieram depois não teriam podido manifestar-se".



Leiam Pushkin meus amigos! Peçam nas universidades seus livros. Fico muito triste de na Universidade Federal de Pernambuco não ter um exemplar de sua maior obra, o Yevgueni Onieguín. Ah, mas na biblioteca do CAC só tinha dois livros de Fernando Pessoa, é sonhar demais querer achar Pushkin. Mas, esse blog é um espaço para sonhar, vou postar duas poesias de Pushkin aqui, no original e traduzido pro português graças ao esforço de José Casado.












Элегия Elegia




Безумных лет угасшее веселье Dos anos loucos a alegria extinta


Мне тяжело, как смутное похмелье. Ressaca vaga, faz que eu mal me sinta.


Но, как било - печаль минувших дней Mas, como o vinho, é o remorso meu


В моей душе чем старе, тем сильней. Que mais forte ficou, se envelheceu.


Мой путь уныл. Сулит мне труд и горе É triste minha estrada. E me anuncia


Грядушево вольнуемое море. O mar ruim do porvir dor e agonia.






Но не хочу, о други, нмирать; Mas não desejo, amigos meus, morrer;


Я жить хочу, чтоб мыслить и страдать; Quero ser para pensar e sofrer.


И велаю, мне будут наслажденья E sei que há gozos para mim guardados


Меж горестей, забот и и треволнеья: Entre aflições, desgostos e cuidados:


Порой опять гармоней упьюсь, Inda a concórdia poderei cantar,


Над вымыслом обольюсь, Sobre prantos fingidos triunfar,


И может бить - на мой зкат печальный E talvez com sorrir de despedida


Блеснет любовь улибкою прощальной. Brilhe o amor no sol-pôr de minha vida.














Друзьям Aos Meus Amigos




Богаии вам еще даны Os deuses ainda vos dão


Златые дни, златые ночи, Dias e noites de alegria,


И томных дев устремлены E amáveis moças vos estão


На вас внимательные очи. A examinar com simpatia.


Играйте, пойте, о друзья! Folgai, cantai, ficai a fruir


Утратьте вечер скоротечный; A noite, amigos, passageira,


И вашей радости беспечной E a vosso prazer sem canseira


Сквозь слезы улыбнуся я. Hei de, entre lágrimas, sorrir.