

Olá queridos visitantes, espero que estejam bem e que se o demônio estiver ao seu lado, que esteja bem intencionado. Hoje, resolvi postar sobre essa obra do grande escritor russo Mikhail Bulgakov, chamada Mestre e Margarida. Essa obra é, infelizmente, muito pouco conhecida no Brasil. Acho que na biblioteca da UFPE não temos esse livro. Conheci essa história através da minha professora de russo, a ilustríssima Larissa Chevtchenko, que juntamente com o outro aluno, Marcone, pegaram a cópia do filme pela internet. Na realidade, é uma série. São 10 horas de filme, onde todos os diálogos presentes no livro se encontram no filme. Detalhe: o filme é em russo e não tem legenda.
Quando eu estava viajando para o ENEH em Florianópolis, no ano de 2006, conheci uma estudante paranaense, chamada Máira, que por coincidência, tava terminando de ler Mestre e Margarida que ela tinha tomado "emprestado" (tomara que ela não fique chateada com esse furo de reportagem) da biblioteca da UFPR. Travamos amizade e ao último dia do congresso, ela me deu o livro, um tanto comprometido. Comecei a ler na volta no ônibus e o livro, simplesmente, me prendeu. Bulgakov, que era muito querido por Stálin que adorava assistir suas peças, escreveu o livro entre 1936 e 1940, mas só o pode divulgar em 1960, depois da morte de Stalin, quando a literatura pôde se desintoxicar um pouco da fuligem do calabouço.
O livro, que é uma grande paródia ao período stalinista, se passa na Moscou dos anos 30, onde a comitiva de Satanás vem banquetear-se com os mortais. Na primeira cena, o demônio, ou melhor, o Professor em ciências ocultas, Woland, está passeando pelo Largo do Patriarca, numa tórrida manhã de verão e dá de cara com um famoso literato, Berlioz e um jovem poeta, Ivan Biezdomny. Os dois conversando sobre Jesus enquanto personagem histórico. Se ele realmente teria existido e se tudo acontecera como as pessoas acreditam até os dias de hoje. Woland se interessa pelo assunto e pede para intrometer-se na conversa. A partir daí começa uma belíssima narração onde Woland começa a contar detalhe por detalhe o dia da execução de Cristo, seu debate com Pilatos e o "sopro" que ele teve que dar no ouvido de Caifás para condenar Jesus. Meus amigos, possam crêr, a narrativa da morte de Jesus pelo demônio é comovente! Por mais que pareça uma heresia, o demônio nutre um profundo respeito pela figura do Cristo.
A partir de então, a comitiva do demônio, composta pelo Professor Woland (ele próprio), Koroviev, Azazello e um gato preto enorme que anda nas patas traseiras e fala, chamado Behemoth, vão fazer as maiores estripulias na cidade. No Teatro de Variedades vão dar uma sessão de ilusionismo que vai causar furor entre os cidadãos moscovitas. Ainda nos dias de hoje, o apartamento número 50 da Rua Sadovaia é ponto turístico no centro de Moscou.
Não vou narrar toda a história porque quero que vocês leiam e sintam a culpa e o arrependimento de Pilatos e a ironia do escritor para com o stalinismo, desde o debate sobre a existência de Jesus enquanto personagem histórico até o show de ilusões no Teatro de Variedades. É uma crítica muito sutil ao regime socialista. Por favor, não venham me dizer que o stalinismo não é socialismo! O Brasil é o único lugar do mundo em que os burgueses são comunistas e o socialismo é cristão.
No final de tudo, a história do Mestre e seu romance com Margarida se tornam coadjuvantes, à medida que a trama vai se desonvelvendo até culminar no Grande Baile de Satã e na libertação de Pilatos. Falando tantas sandices, fico me colocando no lugar de vocês, devem pensar que não estou falando coisa com coisa. Implorei a Rodrigo que lesse o livro, prá ter com quem debater, depois de muito insistir, ele começou a ler e não conseguiu se separar até terminar. E debatemos sobre o livro e acrescentou bastante ao aprendizado (nossa, quanta pedagogia!) Chega, leiam o livro!












