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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tristeza

Lágrimas suspensas sobre o
papel
Como nuvens sobre a cidade
projetada
Prontas para borrarem teu
nome.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Insídia Divina

Bordejando o rebentar das ondas,

um casal perdido na praia.

Em seus braços, a decepção mortal,

uma estátua de Deusa.

O belo sexo,

marmóreo,

oração da perfeição,

semblante da serenidade.

No seu olhar,

recôndita saudade dos fugidios amantes.

Em busca de uma teogonia,

atormentado,

clama aos céus,

clama ao sol:

detêm-te!

Mas, só a beleza é infinita.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Antes da Partida



- É minha a lágrima que escorre no espelho?
Perguntava a parte física que estava ausente.
- Ou da metade indesejada que pulsa cá em mim?
Havia
Havia manchas de sangue na alma.
Era a saudade derradeira dela.
Sonhos são construídos por desertos e medos
E o peito desse homem era uma habitação ao ermo.
Páginas em branco de um ansioso futuro
Onde trôpegas mãos insistiam em rabiscar
Incolor.
A ativar uma explosão
Uma granada no coração
Um sopro vibrante de maus ventos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pequeno Delírio Épico e Pós-Moderno

O homem diante do mundo,
criatura em silêncio.
Refém do despotismo das coisas,
filho da retórica moderna.
É poeta, pranto pronto, essência.
Lágrima em desvelo que escorre por face árida.
Plúmbeo olhar ante a desértica fome do consumo.
Este tropel espírito é o herói da pós-modernidade.
Da distante colina, observa o presente em sua conspecta falácia.
Como Cipião Emiliano, chora a dor do futuro,
conspurcando as tradições em seu inevitável caminho para a morte!
Urra, homem! Constrói tua nação no labirinto do teu ser!


*escrevi esse curto pensamento após o término do trabalho sobre Epopéia ministrado pelo professor Saulo Neiva.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta de Amor

Desejei ser Inverno
para em tua solidão, delirar febril.
Ser silêncio,
ilimitado abrigo.
Inadiáveis cataclismas.
Cosmos aprisionado
numa moldura de ferro.
Poros,
tangível morada.
Remorso não ter vivido,
sonhar.
Afetividade sem dimensão no vazio.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Inverno

Triste da flor que nascida na época errada, desabrocha.
Sofrerá as arranhuras do tempo e da ambiência.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eu e o Mosquito

Eu e o Mosquito

Eu sou um cara muito normal ou um cara estranho?
Se o mosquito que matei ainda dança e vive?!?
Definitivamente, uma boa música ressuscita nosso espírito, visto que, achava eu, estar morto há algum tempo.
Achava o mosquito estar morto?
Ou estava como eu?
O amanhã dele chegou?
Ou me escondo por baixo do chinelo que o pisa?
... O mosquito capotou por mais cinco centímetros e morreu de novo.
Somente mais uma vez eu vejo a mesma cena, as mesmas faces... Que em nada tem a ver com o mosquito, mas que vivem aquí neste mundo de coisas que me pertencem por aluguel.
Um dia... Eu não desistirei, nunca!!
Como vive esse mosquito!!!
Sou eu menor que ele?
“Once again I’m in trouble with my only friend...”
Ah, mosquito!!


(2001)

Sobre o Mar dos Sonhos

Sobre o Mar dos Sonhos

Dê-me um lar, seguro.
Um mercado de flores
Um mar de alegria
Fique apenas ao meu lado
Durante todo o dia
De hoje
Apenas
Hoje sou eu quem manda
Manda na chuva
Manda no sol
Hoje
Somente hoje
Amanhã renunciarei
Aos meus absolutos deveres
Minhas obrigações mais covardes
Amanhã terei coragem de olhar dentro dos seus olhos
E ver o mar
O meu tão esperado mar de alegrias
Onde remarei prá sempre
Onde me lançarei nas cachoeiras
Onde brinco feito criança
Voando no mais mágico de todos os balões
Ouvindo a mais suave das canções
A mais bela voz de sereia
Que canta prá Ulisses
O pobre Ulisses
Com sua profunda dor e arrependimento
Com sua fé inabalável
Mas Ulisses um dia foi feliz
Ulisses já teve seu próprio mar
Onde também remou
Onde também amou
O tempo tem passado para mim
Que me perco na sua grandiosidade
Na sua gigantesca capacidade de ignorar-me
Me perco no vasto mar
Na profundeza das incertezas
Talvez daquí a alguns anos volte a ser hoje
Onde fui criança
Onde fui Ulisses
Meu tempo acabou
O dia também
Sei que como Ulisses
Voltarei a ser feliz
Talvez muito feliz
E por que não?
Não mais colocarei vírgulas em minha vida
A partir de hoje sou eu e o mar
E não terei medo de remar
Mesmo que sozinho
Sem flores por perto
Quero-as longe
Quero-as perto
Não sei o que quero
Perdido no mar.


(2001)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Meu Mundo Real (ode to special k)


Meu corpo sumiu
o que sobrou de mim foi uma lágrima de areia.
Sempre que sinto o fim
peço, imploro, para retornar ao início
Invoco amigos e parentes.
Eu clamo por não-ser,
mas a vontade de viver prevalece.
Dessa maneira, tento costruir alguma coisa sobre a vida.
Mas, minhas construções são feitas só de areia, fina areia
Num galpão onde as pessoas insistem em me reconstruir.
A vida já me deu várias provas de minha incapacidade.
Continuo pelos outros
Nesse cesto de caranguejos
Todos morrem e anseiam para si a morte
Mas não deixam ninguém morrer sozinho.
O que fazer para me reconstruir?
Agradeço aos que me reconstruíram.
Mas, eu...
terei forças, motivação, combustível, para investir num projeto fadado à mediocridade?
Meus olhos são a chave que abrem um grande mistério
Minhas lágrimas são de areia
e hão de me resgatar
num imenso deserto.
Um deserto de realizações:
projetos-oásis-alucinações
Eu sonho com o improvável
Viver ou Morrer
Preciso decidir viver e se for...
Recomeçar!
Objetivar algo.
Falhar outra vez!