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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Human Conditions


Olá amigos do blog. Como de praxe, eu sempre tento dividir algum tipo de música com vocês. Entre os mais diferenciados estilos e lugares, já deixei artistas da Armênia, Cabo Verde, Angola, Polônia, Noruega, Ceará e Paraíba. Meu maior gosto é compartilhar artistas desconhecidos, como se fosse um trabalho de garimpeiro, no intuito de encontrar uma jóia de grande beleza. Enfim, desta vez, o artista é bem conhecido e atuante no universo da pop music. Mas, mesmo assim, por quê não sugerir?

Richard Ashcroft tem uma consolidada carreira-solo, bem referendada pela mídia especializada do seu país, a velha Inglaterra. Mas, mesmo que você ainda não saiba de quem se trata essa postagem, certamente você conhece aquela música do grupo The Verve, bittersweet simphony, onde o vocalista sai esbarrando em todo mundo na calçada, no clipe. Devidamente apresentado, o moço nesse disco, faz um prato cheio para quem curte baladas de rocknroll. Eu destaco "Buy it in the Bottles", "Paradise", "Science of Silence" e "Man on a Mission". Mas, não impede que vocês se identifiquem com outras. Ashcroft tinha tudo pra ser o grande artista da música pop inglesa, mas acabou sempre ofuscado pelo sucesso de bandas como Radiohead e Oasis, sua Verve ficava ocultada, apesar do jeitão meio jaggeriano de se apresentar.

Eu recomendo esse disco. É bom pra ouvir no mp3 durante os malditos engarrafamentos, bom pra namorar, pra acordar...


se você não sabe quem é o cara em questão, talvez esse video facilite: http://www.youtube.com/watch?v=Zx3m4e45bTo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ednardo


No ano de 2006, assisti um dos shows mais marcantes da minha vida, nesses 29 anos de existência. À época, tinha 25 anos, e Belchior cantava: "Tenho 25 anos de sonhos, de sangue e de América do Sul..." Entre uma canção e outra, o cearense Belchior, lembrando o velho Vinícius de Moraes, dava e pedia a benção aos grandes mestres da música nordestina e brasileira. Entre os artistas que ele citava, ele dizia: "Minha gente, escutem Ednardo. A juventude não conhece Ednardo!" E aquele nome que já tinha escutado noutras ocasiões, ficou na minha cabeça. Baixei um disco e nunca escutei. Ficou perdido numa das quatro pastas de música que tenho no meu computador. Há cerca de um ano e meio, resolvi escutar o tal disco de Ednardo, depois de tanto ouvir os pedidos de Belchior. E nessa manhã em que escrevo, amanheci ouvindo as trovas de Belchior e lembrei-me que nunca dediquei uma postagem sequer ao imenso talento de Ednardo.

Esse disco que divido com vocês, chama-se O Romance do Pavão Mysteriozo (1974). A mais famosa das canções, título do disco, foi gravada por Ney Matograsso. Mas, esse disco é de uma riqueza, de uma brasilidade incomum. Tem músicas de frevo, rock e cantoria. Atabaques e oboés dividem o mesmo espaço em harmonia. A bela voz de Ednardo, aliado às suas composições cheias de ricos significados, preenchem completamente o ambiente. Escuto esse disco há um ano e meio e, tenho certeza, estou muito longe de enjoar. Pra quem conhece, essa minha resenha é inútil. Mas, pra quem nunca se permitiu, taí uma boa oportunidade. Ednardo é cearense e começou a carreira musical junto com Belchior e Amelinha, num projeto chamado Pessoal do Ceará.

Sempre tento compartilhar com os amigos as músicas que gosto. Culpa desse meu espírito de DJ (o espírito de Portanov ainda ronda). É isso, não quero ficar enchendo linguiça. Espero que Ednardo não fique chateado por eu estar colocando suas músicas pra outras pessoas sem que ele ganhe nada com isso. Portanto, se vocês gostarem da música, comprem o CD. E Ednardo, faça um showzinho aqui por Pernambuco!

CD de Ednardo, O Romance do Pavão Mysteriozo (1974): http://www.4shared.com/file/9pLW9pw7/Ednardo_-_O_Romance_Do_Pavo_My.htm


domingo, 9 de maio de 2010

Vàli


Vàli, este é o nome do violonista e guitarrista norueguês que gravou esta belíssima obra que desejo compartilhar com vocês. Vàli gravou este disco, Forlatt, em 2004. Infelizmente, não encontrei muitas informações sobre ele, nem no wikipedia em inglês! Ao que me consta, ele faz parte de um grupo de Doom e Black Metal chamado Skumring, muito atuante no universo sombrio do rock pesado nórdico. Mas, quem acha que em Vàli vai encontrar uma sonzeira de difícil absorção, está muito enganado. A música deste disco é suave e delicada, com um violão acústico que se sobressai perante os outros instrumentos: violão, cello, piano e flautas. Uma música gostosa para se ouvir num dia frio (a gente em Recife não sabe o que é isso!) ou chuvoso. Contemplando pela janela o movimento brando e compassado da natureza. A música deste disco é delicada e triste, chega a ser um tanto sombria. Acho que para quem mora num lugar frio como a Noruega, deve ser de aconchego incomparável.

Fica a sugestão. Aos amigos que gostam de Sigur Rós, Clint Mansell e Píffaro, acredito que vocês vão gostar, sim! Para quem gosta daquele metal mais harmônico, é um prato cheio e suculento.

domingo, 18 de abril de 2010

Together We Will Live Forever


Amigos, alguns já conhecem esse vídeo. Essa música diz muita coisa pra mim, uma linguagem que transcende as palavras. A música é a última faixa do disco The Fountain de Clint Mansell http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2009/08/clint-mansell-fountain.html) e chama-se "Together we will live forever". Nesse vídeo, o pianista inglês Phillip Sear é quem toca. A música pode falar melhor do que eu. Espero que apreciem. Boa semana,
Dodô.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Simentera

Ontem recebi uma encomenda dos correios. Uma caixa grande e pesada com remetente vindo da Ucrânia. Pois bem, a família de Portanov me enviou sua vasta coleção de discos de suas prospecções ao redor do mundo. Entre a imensa variedade de sons, achei um grupo de jazz do Turcomenistão, flautistas de bambu da Samoa Americana, percursionistas de Guiné Bissau, o canto das aldeãs idosas do interior da Bulgária. De ontem pra hoje, passei o dia a separar e ouvir a imensa variedade de sons que nosso amigo DJ Portanov deixou de lembranças pro seu público brasileiro.

No ano de 2005, Portanov esteve no Brasil pela primeira vez. O levei até a praia de Atapuz com mais alguns amigos. Viajamos de catamarã até Barra de Catuama, bebemos caipirinha e fomos pro brega de Atapuz atrás de namoradas nativas. Nessa ocasião, ele me falou de um grupo de Cabo Verde chamado Simentera e, de pronto, me interessei pelo ritmo gostoso da música
deste grupo criollo. Só que Portanov voltou pra Ucrânia e eu estava sempre muito ocupado com minhas viagens de negócios, com o stress do oscilante mundo das bolsas de valores e nunca mais tinha escutado esse maravilhoso grupo chamado Simentera. Hoje de madrugada, enquanto acompanhava em tempo real o desenvolvimento das bolsas de Mianmar e do Quirguistão, estive ouvindo os cd's que Portanov me enviou. Ah, meus amigos! Tamanha inspiração o conjunto caboverdiano me ofereceu que há uns três anos não tinha uma noite de investimentos tão proveitosas.

Não posso demorar muito nessa postagem. Estou de malas prontas pra mais uma viagem. Soube de umas terras de laranjal em El Salvador que estão uma verdadeira barganha, devido às ameaças de terremoto na região. Sendo assim, pretendo tirar vantajosos lucros nessa região utilizando mão de obra cearense que um amigo que é chefe na transposição das águas do Rio São Francisco está me arranjando. Eles pensam que estão indo pro Texas, mas vão pra El Salvador. Pois bem, voltando ao assunto inicial, encontrei uma coletânea imperdível com as músicas do Simentera gravada pelo recém-falecido DJ Portanov, são diversos ritmos (funaná, tabanca, codjeta), uma riqueza! De repente, pretendo trazê-los pra uma temporada no Brasil, por isso, preciso que vocês escutem. É necessário público! No mundo de hoje, comunicação é dinheiro. Sem mais, deixo-vos com o link. Só chegarei em El Salvador amanhã de noite e a próxima postagem já será de lá. Abraço e me desejem boa viagem!

Simentera por DJ Portanov: http://www.4shared.com/file/252538315/9c822fc0/Simentera_por_Dod.html

sexta-feira, 26 de março de 2010

Nick Cave e Warren Ellis

Olá amigos visitantes do Blog. De vez em quando, sinto-me na obrigação de escrever sobre coisas menos pretensiosas como a música e o futebol, porque são paixões que cultivo e não consigo me desvencilhar. Esse ano vai ter Copa do Mundo e espero dar uns pitacos em breve. Normalmente, costumo acertar em certos prognósticos. Na Copa de 1998, por exemplo, eu cravei que a Croácia seria a grande surpresa da Copa, e acertei na mosca! O escrete liderado por Suker (lê-se "Shuker"), Boban e Prosinecki (lê-se Proshinetski) arrebentou no mundial. Mas, deixemos esse assunto para a data que lhe convir. É preciso traçar planos para o futuro, mesmo que ele não chegue. E esse ano, tenho minha surpresa na ponta da língua! Porém, hoje, quero compartilhar com vocês um disco que, para mim, é muito especial. Vamos ao assunto.

Não é a primeira postagem que dedico a esse artista contemporâneo nascido numa pequena cidade da Austrália chamado Nick Cave. Ele é uma presença perene na minha vida. Alguns grupos musicais passam pela nossa existência, caracterizam uma época, cravam verdadeiras trilhas sonaras de nossas lembranças. E no caso dessa postagem de hoje, é justamente sobre uma trilha sonora que quero dividir a emoção que sinto com vocês. Como dizia, alguns artistas marcam uma geração, um período de nossas vidas, e quando amadurecemos (ou conhecemos outras coisas) eles deixam de fazer sentido. O Pink Floyd, por exemplo, é digno de profundo respeito da minha parte, mas não sinto mais aquela paixão que me cativava há seis anos.

Conheci Nick Cave em 2001, através das
indicações do guru musical dos primeiros anos de faculdade, o sr. Cristiano Randau. Me afeiçoei da sua voz, da dramaticidade como interpretava e do gosto de sangue que acompanhava as letras. Quase dez anos depois, estabeleci uma seleção dos discos que mais gosto, posso decifrar as fases vividas pelo artista e suas incursões na vida exterior ao Bad Seeds.


Esse disco é a trilha sonora do filme "O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford". Vou limitar-me a dizer que gostei do filme. Ouvi comentários que a película foi mal recebida pela crítica. Eu não entendo a parte técnica do cinema (fotografia, efeitos especiais, direção de figurino e etc), mas o filme foi-me interessante. Tem um desenrolar lento, o final é possível de ser previsto desde o começo. Ora, é um filme baseado em fatos reais! Numa história que qualquer norte-americano deve conhecer. Jesse James foi o Lampião estadunidense. Mas, não se trata de um filme de ação. É uma pegada arrastada, melancólica. Os valores das "pessoas simples" são expostas de maneira muito decente. Sua morte, fruto de um ato covarde como o título anuncia, contribui para a fixação do mito no imaginário popular norte-americano. O próprio Nick Cave atua no filme. Ele faz o papel de um cantor de boteco, desses que fazem música de improviso sobre os temas mais populares.

Desde o início de sua carreira, Nick Cave contou com um belíssimo time de músicos que garantiam o som vanguardista dos Bad Seeds. Pois bem, o violinista da banda, o sr. Warren Ellis, juntou-se a Cave para fazer a trilha desse filme. Violino e Piano. Não tem músicas cantadas. O clima é escaldante, sedento, uma constante preparação para algo harmonioso que está para chegar. E essa expectativa é saciada nas faixas "Rather Lovely Thing", "What Must Be Done" e, principalmente, na mais bela de todas, "Song for Bob". A canção-tema do covarde é a mais melancólica e delicada. É o prêmio dos que aguardam.

Enfim, deixo-vos com o link para o download do disco. Fico muito feliz quando encontro meus amigos "reais" e eles dizem que tiveram imensa surpresa com alguns discos que posto por aqui. Os amigos virtuais são mais tímidos em comentar, eu percebo. Aguardo comentários positivos ou negativos. Abraço!

Trilha Sonora do filme "O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford: http://www.4shared.com/file/250263867/a4e31e2a/Nick_Cave_And_Warren_Ellis-The.html

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Regensburger Domspatzen



Vamos começar o ano pedindo as bençãos aos espíritos superiores, no caso, Jesus Cristo. Calma, não me converti (ainda!). A música é uma linguagem que transcende, muitas vezes, ao significado que suas palavras englobam. A prova disso é essa missa que deixarei para vocês. Todos os grandes compositores do período barroco escreveram missas, com suas estruturas bem definidas: kyrie, gloria, credo, sanctus, agnus dei... A que vou presenteá-los aqui é do italiano Giovanni Pierluigi da Palestrina, interpretada pelo grupo bávaro Regensburger Domspatzen. Um coral formado por crianças e pré-adolescentes, pois suas vozes ainda não engrossaram, deixando-os com um tom angelical, assexuado. Essa voz que aos 13, 14 anos se perde com o desenvolvimento dos hormônios. Aliás, temos uma história interessante para relatarmos. O pobre Franz Schubert quando criança tinha a voz mais bonita de uma escola de música de Vienna (não sei o nome da escola), o diretor do coral ofereceu ao seu pai, uma bela quantia em dinheiro para que ele aceitasse a castração do filho, para que sua voz de anjo permanecesse por toda a vida. O pai, paupérrimo e sem dó da criança, aceitou de pronto. Quando o jovem Franz descobriu a trama, fugiu de casa e da escola.

Aliás, essa situação me faz lembrar um outro episódio. Quando estive em São Paulo, saindo de um bar na Rua Augusta de madrugada, teci um comentário com umas estudantes de sociologia que saiam do mesmo bar. Enfim, o assunto caiu na prostituição. As meninas, de imediato, defenderam a prostituição da Augusta dizendo que as moças de lá recebiam educação e se prostituíam conscientemente. Então, remeteram ao filme Baixio das Bestas, que fala de um pai que prostitui a filha para que ela sustente a família com seu corpo. As meninas começaram a dizer que jamais aceitariam que um pai alugasse sua filha, que era um absurdo, que o nordeste era machista e que o pai tinha que ser morto. Bem, escutei as meninas gritarem e desabafarem. Então, eu disse que uma menina que se prostitui com os caminhoneiros para alimentar toda a família merece mais respeito do que uma que faz apenas para ostentar uma condição social burguesa numa cidade como São Paulo. Pronto, foi uma imensa confusão. Na verdade, tudo isso é muito deprimente e não estou fazendo apologia do pai que prostitui a filha. É que, em certos casos extremos, ou se faz isso ou se morre de fome.

O assunto saiu dos anjinhos para as prostitutas. Aliás, essas últimas, são verdadeiros anjos na Terra. Absorvem as frustrações alheias, os desabafos de maridos entediados, os safanões dos embreagados, a tremedeira do jovenzinho, as contas da casa. São anjos na Terra. Mas, voltando aos anjos da música, o Regensburger Domspatzen é um conjunto musical muito tradicional na Alemanha. Eles foram fundados há nada mais, nada menos, que 1035 anos!! Sim, no ano de 975 da nossa era cristã. Sempre como uma escola que recruta jovens seminaristas para emprestarem suas vozes à sagrada música. Quero começar o ano de postagens no blog com essa música celestial que nos remete aos bons conselhos de Cristo, às coisas boas que a cultura cristã semeou pelo mundo. Aliás, o próprio Cristo era amigo de uma prostituta, que virou santa, posteriormente. Aproveitem amigos, encham seus corações de paz e harmonia. Quando escuto essa missa, sinto as paredes do quarto me acalentarem, um aconchego inocente que há muito se perdeu do lado de fora da janela.

Regensburger Domspatzen (copiar e colar no navegador):

http://www.4shared.com/file/189365243/4508ddd9/Giovanni_Pierluigi_Da_Palestri.html


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Morreu na Ucrânia o DJ Portanov

Na madrugada desta terça-feira, horário brasileiro, manhã fria na cidade de Odessa, sul da Ucrânia, foi encontrado em sua residência, desacordado, o famoso DJ ucraniano Yaroslav Sviatopolich Portanov, 30 anos, natural da mesma cidade ucraniana. Foi levado ao hospital, mas já na ambulância foi constatada sua morte decorrente de uma parada cardíaca. Os primeiros laudos médicos apontam para uma forte intoxicação que teria levado o DJ a desvanecer e, posteriormente, ao óbito. Amigos mais próximos contam que Portanov voltou muito abatido da última turnê na América do Sul, culminando com uma apresentação no Brasil em que chegou a ser ofendido pelo público. Além disso, uma paixão mal resolvida com uma garota alemã, teriam levado o artista ao fundo do poço emocional, internando-se por intervalos cada vez mais longos em sua residência (foto acima) e aumentando cada vez mais as dosagens de substâncias entorpecentes.

Após a divulgação da morte do DJ Portanov, milhares de pessoas foram prestar solidariedade à família, bem como levaram cartazes com dizeres do tipo: "Portanov eterno", ou ainda, "O show não pode parar." Uma multidão promete acompanhar as exéquias no cemetério Beresina, na cidade portuária. Portanov era famoso pela ecleticidade, variando seu estilo musical desde a música eletrônica, passando pela tendência cigana, ritmos latinos e, inclusive, música erudita. Na penúltima passagem pelo Brasil, em setembro, o artista organizou uma festa onde a alternância entre música eletrônica e erudita, ganhou merecido destaque da imprensa local, numa combinação explosiva que envolvia o Réquiem alemão de Johannes Brahms com freneticidade do DJ sérvio, Jesus Raves.


A morte de Portanov deixará uma lacuna na música internacional, sucessos consagrados pela sua verve musical ficarão esquecidos para sempre na noite brasileira. Quem, senão o DJ ucraniano, se atreveria a discotecar músicas como "a dança da bucetinha arreganhada", "as alucinações de Serguei", "agaetis byrjun", entre outras. Além da composição do Funk do Zaidan, interpretado uma única vez pelas Barbis de Olinda. A partir de hoje, tudo ficará apenas na memória. Deixamos à família nossas condolências e saudações ao mais brasileiro dos DJ´s do leste europeu.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

I Came to Believe



I Came to Believe (Johnny Cash)I Came To Believe
Johnny Cash
I couldn't manage the problems I laid on myself
And it just made it worse when I laid them on somebody else
So I finally surrendered it all brought down in despair
I cried out for help and I felt a warm comforter there

And I came to believe in a power much higher than I
I came to believe that I needed help to get by
In childlike faith I gave in and gave him a try
And I came to believe in a power much higher than I

Nothing worked out when I handled it all on my own
And each time I failed it made me feel twice as alone
Then I cried, "Lord there must be a sure and easier way
For it just cannot be that a man should lose hope every day."

Yes, I came to believe in a power much higher than I.







video no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=BtW-KB5T83A



download da música: http://www.4shared.com/file/172501230/9e1cdd18/07_-_Johnny_Cash_-_I_Came_To_B.html

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Batalia Bob Junior

Caramba, escrevi uma mega resenha sobre o álbum de Batalia Bob Junior e, sem querer, acabei apagando. O pior que estou numa semana muito corrida, são 23:09 e estou bêbado de sono. Mas, como um herói epopéico, ultrapassarei os limites carnais e vou postar sobre esse disco que tem uma mistura de macumba, samba e jazz, sensacional. De onde é esse cara? Cabo Verde? Angola? Bahia? Não sei, só sei que ele canta em português(?!). O sotaque dele é muito doido, o disco foi gravado em Paris em 1972 e não consigo achar quase nenhuma informação sobre esse disco no mundo virtual, exceto as que já repassei. No LastFM, sou o único ouvinte desse grande artista! Vocês sabem o que é LastFM? É um orkut de música (mais um!). Quem tiver e quiser me adicionar, aí vai meu link: (http://www.lastfm.com.br/user/dodofonseca). Falei em epopéia há pouco, só penso nisso! Há um mês que minha vida gira em torno da literatura épica, retórica clássica, semiotização literária. Poderia postar esse disco amanhã, fazer um texto cheio de floreios, mas se me adianto a escrever essa simplória resenha é porque tenho medo. Sim, tenho muito medo, meus amigos. Medo de mergulhar no mundo dos sonhos e ficar aprisionado por lá que nem o personagem de Waking Life. Para onde vão os sonhos quando nós acordamos e não recordamos mais do que uma neblina de lembranças? Será que vão para o mesmo vácuo indecifrável pra onde o antigo texto de Batalia Bob Junior foi? Coitado do antigo texto, tão medíocre, vagando por um suposição perdida. Meu Deus, relendo tudo o que escrevi, não disse nada com nada. Perdoem-me, mas isso sou eu, também. Mas, é isso, quero postar sobre esse disco aí. É uma macumba massa! "No mar eu encontro o peixinho..."


P.S.: Bebeto, você pediu uma postagem musical, lembras? Não é a 1812 de Tchaikovsky, mas é parecido! Tô me sentindo que nem Presto da Caverna do Dragão. Mais pedidos?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Clint Mansell - The Fountain


As palavras se intrigaram de mim nos últimos dias. Tenho alguns temas para postar, artigos à escrever, pequenos trabalhos a apresentar. Porém, as palavras tem adquirido uma corpulência demasiada, tudo muito fastidioso. Não tinha em mente postar nada sobre música nesse momento. Guardo as postagens musicais para os momentos de escassez de assuntos. Mas, esse disco que quero deixar aqui, vem bem a calhar com meus últimos dias: tenso, sombrio.

Não sei dizer qual a relação que Clint Mansell tem com o Kronos Quartet, se ele é compositor, regente do grupo, não sei. Bem, que ele é compositor isto é claro, esse disco que vos deixarei é um exemplo. Pesado, meus amigos. Advirto logo. Talvez não faça bem aos primaveris sentimentos. Deixo para os lúgubres momentos, para a solidão da escuridão, da carência da regressão fetal, da inércia. Letárgico. Assim me parece esse disco que, paradoxalmente, chama-se A Fonte. É a trilha sonora do filme A Fonte da Vida que a despeito de alguns clichês bem batidos do cinema, é uma boa película. Clint Mansell, ao que me consta, é autor de várias trilhas sonoras, de filmes bem pesados como Requiem Para um Sonho. Esse fim de semana que passou convivi bastante com esse álbum e com a poesia de Alphonsus de Guimaraens, que ora inocente, ao menos é corajosa em afirmar sua obscuridade. Cá estou, perpetrando-me neste inverno do tempo com toda a força, nem um pouco me esforçarei para sair dele, toda a alegria será fingida e mal articulada, uma máscara rotunda de sociabilidade.


Clint Mansell - The Fountain: http://www.mediafire.com/download.php?yxzdecexjzt

domingo, 31 de maio de 2009

Os Homens Bicentenários

Hoje eu quero prestar homenagem a dois aniversariantes ilustres: o austríaco Franz Joseph Haydn e o ucraniano/russo Nikolai Vassilievitch Gógol, que estão completando 200 anos, Haydn comemora sua morte e Gógol seu nascimento, no ano de 2009. Para tal data, homenagens estão sendo prestadas em vários locais do mundo, com grande justiça.

Hoje, aqui na cidade do Recife, nesse domingo, aparentemente, de poucas opções, a Orquestra Sinfônica do Recife vai homenagear o compositor Haydn com um repertório exclusivamente seu. A apresentação se dará gratuitamente no belíssimo Teatro de Santa Isabel, à partir das 18h e a entrada é gratuita. Que maravilha! Quem conhece e entende de música erudita, coloca Haydn nos mesmo patamares que Beethoven, Mendelssohn e Mozart, seus contemporâneos.

A outra homenagem, também gratuita, acontecerá em São Paulo, desta vez para reverenciar o escritor do período romântico russo, Nikolai Gógol. Um dia inteiro de palestras, com um time de professores respeitabilíssimos, capitaneado pelo professor fundador do Departamento de Língua e Cultura russa da USP, o doutor Bóris Schnaiderman. As palestras ainda contarão com as presenças de Andrey Kofman, Denise Sales, Tatyana Belinky, Aurora Bernardini e Dmitri Gurievitch. Todos debatendo a importância do escritor e professor de História, Gógol. Logicamente, o escritor de Almas Mortas, não ficou mundialmente famoso pelas aulas de História na universidade de Petersburgo. Gógol era um homem excêntrico, complexado com sua compleição física, um tanto avolumado. Vez por outra, se metia a fazer jejuns prolongados, pois condenava a gula que tanto o atormentava. Era hipocondríaco. Chegou a queimar boa parte de suas obras inéditas, inclusive um dos possíveis finais de Almas Mortas. Por falar nesse livro, este é uma das maiores odes ao povo russo. A viagem de Tchitchikov pelas propriedades rurais, cheias de personagens típicos, com direito a devaneios sobre a nataureza do país, uma interminável viagem em busca de uma estabilidade inalcançada.

Gógol e Haydn, duas oportunidades para se contemplar e aprender um pouco mais sobre as obras desses homens. Nosso profundo respeito e lembrança à memória dos grandes homens, imortais. Deixarei de presente dois links, como sempre faço, para que vocês possam sempre que visitarem o blog, terem a oportunidade de acessar algo relacionado sobre quem se fala por aqui. Então, primeiro deixarei o link da USP para quem quiser se matricular nessa palestra que, repito, é de graça, com os maiores estudiosos na obra de Gógol. Se minha bolsa de mestrado tivesse saído, quem mais estaria lá, seria eu. Falando nisso, ai meu Deus! Que martírio essa espera! Tenho tido uma paciência de fazer inveja a Jó, pois há um ano não tenho renda quase nenhuma, com 28 anos e sonhando com um futuro que parece uma miragem no deserto. O outro link é sobre A Criação de Haydn, no site PQP Bach. Bom domingo e que a semana seja proveitosa. Deixei duas opções para a semana para os residentes em Recife e São Paulo.


Palestra na USP: http://www.fflch.usp.br/sce/cursos/2_sem_intern_gogol.htm

A Criação de Haydn: http://pqpbach.opensadorselvagem.org/franz-joseph-haydn-1732-1809-die-shopfung-hob-xxi-2/

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Smolensk e Mikhail Glinka




Olá amigos visitantes do blog. Espero que estejam todos em paz. A partir de hoje vou fazer algumas postagens em que pretendo envolver dois temas que sempre gosto de analisar ou resgatar: as cidades e seus ilustres cidadãos. Hoje, gostaria de postar sobre o compositor russo Mikhail Glinka, um artista que pode ser considerado um dos pilares que sustentam a cultura russa no século XIX em seu período romântico. Glinka foi o primeiro a escrever óperas em língua russa. Também é considerado o pai da música erudita naquele país que, posteriormente daria ao mundo, artistas conceituados como Piotr Ilitch Tchaikhovski, Modest Mussorgskii, Rimski-Korsakov, Sergei Prokofiev, Sergei Rachmaninov, entre tantos outros. Assim como a literatura russa não poderia se desenvolver sem a competência de Pushkin, a música talvez não tivesse o mesmo impulso se não houvesse a presença histórica de Glinka.

Glinka nasceu em Smolensk, uma cidade muito antiga que já no século IX d.C. gozava de importante prestígio para o comércio do leste, pela rota do Rio Dnieper. A mãe das cidades russas, Kiev, era capital de um reino importante que servia de ligação entre o comércio realizado entre Vikings suecos, Bizantinos e até Árabes. Quando se imagina que a Idade Média é um período de estagnação e atraso, é porque os historiadores ficam muito presos ao que acontece na França, Inglaterra e Alemanha (aliás, esses nomes nem existiam como nação), porque no leste europeu era constante a troca de conhecimentos e comércio, desde o Báltico até o Mediterrâneo Bizantino.

A cidade de Smolensk é de uma importância transcedental para o povo russo. Ela é um símbolo de luta do povo e do amor que os mesmos tem em relação à fria terra. Smolensk foi destruída pelo menos três vezes, sendo reconstruída posteriormente. A primeira derrocada vem com a invasão dos mongóis no século XIII, sem falar nos assaltos feitos pelos Petchenegues, povos da estepe que causaram tormentos constantes ao Principado de Kiev. Smolensk padece para ser reconstruída no resplandecer do Império Russo. A cidade já esteve sob domínio da coligação Polônia-Lituânia, quando estes foram os maiorais do leste, após a retirada dos mongóis. Smolensk foi novamente arrasada quando da invasão napoleônica, na primeira década do século XIX. Queimada e reconstruída. A terceira importante devastação virá na invasão nazista em 1941-42, que possui no filme Vá e Veja (Иди и Смотри) um belíssimo, embora triste, relato da crueldade com que os germânicos invadiram a Belarus e a Rússia. Por essa capacidade de ressuscitar, Smolensk é uma das cidades mais importantes da Rússia, ainda hoje.

Essa ópera de Glinka que deixarei para vocês no final da postagem é interessante, além de ser belíssima (se os estruturalistas lessem isso...), porque narra a história de um camponês chamado Ivan Susanin, um homem simples, detentor de terras, que em lealdade ao Tsar russo Mikhail I Romanov encontrará a morte para defender essa região de fronteira das mãos do império polonês. Não duvidem amigos, aqueles povos do leste possuem diversas razões para rivalizarem entre si, pois toda aquela faixa de terra entre Varsóvia e Moscou foi disputada palmo a palmo com muito derramamento de sangue. Como essa ópera é nacionalista, vai exaltar as qualidades desse detentor de terras que conseguiu ser fiel ao Tsar, mesmo pagando com a morte. Espero que vocês gostem, tenho me deleitado bastante nas última semanas ouvindo Glinka. Ah, prometo para muito breve uma surpresa tupiniquim. Gostaria de dizer sobre a ópera Ivan Susanin: Uma Vida pelo Tsar, que os tenores são maravilhosos ou que no terceiro ato há uma mudança de notas altas para baixas. Mas não, não sou capaz de analisar a melodia como um músico. Não sou digno de fazer qualquer crítica, admito antes de tudo. Porém, nem Mallarmé, nem Ortega y Gasset, nem Barthes, poderão diminuir minha capacidade de me emocionar ao ouvir uma música de Beethoven ou de Glinka, simplesmente por não conhecer as notas ou não poder ler o som. Por hoje é só, segue abaixo os links para baixar a ópera completa, além dos arquivos em pdf. Após baixar as três partes que contabilizam duzentos e trinta e poucos megabytes, vai aparecer um pedido para digitar uma senha, esta se chama: "parol", que significa senha em russo, não se esqueçam. Saudações!

1ª parte: http://rapidshare.com/files/158886757/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part1.rar

2ª parte: http://rapidshare.com/files/158892891/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part2.rar

3ª e última parte:http://rapidshare.com/files/158894928/Glinka_Ivan_Susanin_MP3.part3.rar


senha: parol

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nick Cave - coletânea por DJ Portanov

Hoje aprendi a fazer upload de arquivos meus para colocar a disposição de outras pessoas. Coisa muito simples, mas que até ontem eu fazia o maior bicho de sete cabeças. Agradeço ao amigo Juca (se alguém precisar consertar seu computador: www.jucasuporteinfo.blogspot.com) pela ajuda online na aniquilação dessa besta virtual. Hoje eu volto a falar de um dos artistas que mais prendem minha atenção, aliás, não é a primeira vez que falo sobre Nicholas Cave no meu blog. Esse cantor australiano, radicado na Alemanha e que já morou, inclusive, no Brasil. Sou um grande entusiasta deste artista que oscilou entre as trevas no melhor estilo Edgar Allan Poe até a aurora espiritual de Hermann Hesse.

Nick Cave começou sua carreira em 1977, ainda na Austrália, com a banda Boys Next Door, um grupo pós-punk onde jovens cantavam sobre suicídio, desespero, amor não correspondido e outros temas macabros. Depois formou seu segundo grupo, a banda Birthday Party. Sinceramente, os nomes dessas bandas não eram nada interessantes. Mas, em 1981, Nick Cave consegue juntar um time de músicos da primeira linha e vão ganhar o mundo, estava consolidado o grupo Nick Cave and The Bad Seeds, com músicos de idéias expansivas como Mick Harvey e Blixa Bargeld que possuem projetos paralelos valiosíssimos. Durante muito tempo insisti junto aos meus amigos que tentassem ouvir Nick Cave. Eu apaleva para a qualidade de sua poesia, para sua voz profunda, sua performance dramática. Depois de um tempo meus amigos chegavam para mim e diziam que não tinham gostado das canções, pois estas soavam depressivas ou eram alternativas demais, com berros, sussurros e outras coisas que afastam nosso artista da música pop. Eu concordo, em parte, com meus amigos, pois os discos dos anos 80 não são fáceis de serem entendidos em seu extremo realismo. Destaque nesse período para a música "The Mercy Seat", onde um condenado à cadeira elétrica grita através de Cave que está sendo morto injustamente.

A vinda de Cave para o Brasil em 1990 e o casamento com uma brasileira que rendeu um filho baiano para nosso amigo australiano, parece ter aberto uma nova perspectiva na sua carreira. As belezas e luminosidades tropicais parecem ter penetrado em sua arte e seus discos passam a ficar mais vivos, mais esperançosos, mais cadenciados. Essa é a fase que eu mais gosto. A partir de "Henry´s Dreams" de 1994 tudo se torna mais melancolicamente melódico. O último disco de Cave foi lançado no ano passado e chama-se "Dig Lazarus Dig!" e foi bastante premiado pelas revistas de música internacionais. Esse último álbum ainda não foi muito bem digerido por mim. Nick Cave tem vários projetos paralelos que transcedem suas atuações com os Bad Seeds, grava trilhas sonoras, atua no cinema, escreve contos literários (ainda não os encontrei) e está sempre colocando o peso de sua visão na escrita.

Pensando em vocês que visitam meu blog, hoje resolvi gravar uma coletânea onde até a sequência das músicas foi estudada, começando pelo diálogo entre um homem preso e sua mulher, chamada "As I sat sadly by her side", uma canção belíssima sobre a liberdade, embora vocês possam encontrar outros sentidos. Ainda destaco "To be by your side", canção gravada para o documentário maravilhoso sobre as aves migratórias (winged migration). Ainda teremos a versão de "Let it be" dos Beatles, o dueto com PJ Harvey em "Henry Lee", a paixão levada ao extremo em "Love Letter" e "We came along this road". Ah, meus amigos, eu sou suspeito para falar! Fiz essa coletânea com as músicas que considero mais belas, também são aquelas que compreendem a fase de 1994 até o presente. Para quem tentou ouvir e achou estranho (Diogo Luna e Rodrigo Peixoto) aquí vai um pedido: que tal uma segunda chance? Musicar poesias não é uma tarefa fácil, mas acredito que Cave seja o mais competente entre os artistas da atualidade. Há quem diga que Nick Cave constantemente visita o Brasil e que já foi visto no carnaval de Olinda há uns 10 anos. Porém, como ele não é muito conhecido da população e aparece sem fazer alarde, poucos são os que sabem de suas chegadas e saídas. Ontem, assisti o show do Iron Maiden e realizei um sonho dos meus 18 anos. Hoje, com os 28 batendo na porta, um show de Nick Cave seria uma experiência inesquecível. Pelos vídeos do youtube vemos que suas performances ao vivo são arrebatadoras, variando entre a afetuosidade e a vivacidade.

Deixarei o link abaixo e tenho uma notícia para os acompanhantes do blog. Para quem não sabe, este blogueiro ataca de DJ em festinhas pela nossa capital sob a alcunha de Portanov, um dj que "nie govorit po-portugalski". Agora que aprendi a fazer uploads, vou fazer coletâneas das festas em que sou chamado para "animar". Aliás, se alguém conhece um dono de um bar bacana que está precisando de um DJ prá colocar som numa segunda-feira ou terça, sem obrigação de ter que animar gente bêbada, estou a disposição. Tenho muitos sons de música folk, world music, rock and roll. Nada muito convencional. Bons foram os tempos em que eu botava som no Garagem nas madrugadas de terça para quarta-feira, enquanto a cidade dormia seu operário sono, algumas almas angustiadas se expremiam naquela escuridão para ouvir um bom rock and roll. Acredito que hoje meu repertório esteja melhor. É isso, era para ser uma postagem rápida, mas eis que acabei me alongando. Fico devendo uma postagem para comentar o show do Iron Maiden ontem no Jockey. Por hoje é só, tenho o que estudar ainda nessa noite. Saudações a todos!

Nick Cave by DJ Portanov: www.4shared.com/file/96272945/635313f0/Cave_para_Iniciantes.html

terça-feira, 24 de março de 2009

Só Para Baixinhos



Hoje eu quero deixar de presente para os papais e mamães um disco infantil... ôpa, peraí! Como posso definir o disco O Jardim das Borboletas de 1972 da banda que possui o mesmo nome do disco? Rock psicodélico para crianças?! Peça teatral para uma família cabeça?! As músicas são tão bem trabalhadas que em certos momentos parece que estamos ouvindo o Perfume Azul do Sol, A Cor do Som, Som Imaginário; e tudo com um romantismo paternal. Tudo se passa em um jardim fantasioso, do mundo que só as crianças pertencem. A atmosfera é tão bonita, o instrumental tão harmônico, que eu, meio-ogro, meio-melancólico, bicho velho e ensimesmado, considero-me fâ da obra desses artistas. Vou abrir aspas para o que diz o blog Mopho Discos:


"Em 1972 estreiou a fantasia musical infantil de André José Adler "O Jardim das Borboletas" com músicas de Taiguara, Eduardo Souto Neto, Zé Rodrix, Jorge Omar e Paulo Imperial. Com cenários e figurinos de Cláudio Tovar. A produção era de Carlos Imperial. Desde então a peça já teve pelo menos 18 montagens profissionais pelo Brasil e 2 adaptações para TV."


Queria que Úrsula mostrasse para Tales, Tiago para Joãozinho, Hugo pra Camila. Também quero homenagear com essa postagem os recém-papais e mamães, especialmente Ênio (pai de Samuca), que adorou o disco e fiquei satisfeito por ter apresentado o Jardim para esse nobre músico de nossa cidade. De vez em quando fazemos trocas musicais, ele me apresentou A Banda dos Contentes de Erasmo Carlos e o dançante Chromeo; enquanto eu passei as minhas pesquisas do Leste Europeu, como Balkan Beat Box, Fanfare Cioçärlia, juntamente com outros tantos discos e O Jardim das Borboletas. Os pais, hoje, são meio órfãos de musica infantil: ou entram na ditadura da véia Xuxa ou tem que correr atrás dessas pérolas encrostradas nas veredas da psicodelia.


A vida aí fora pode não ser bem assim, mas tente lembrar do nosso Jardim.




link do álbum: http://www.mediafire.com/?jp2jb11wed5

sábado, 7 de março de 2009

Lula Côrtes e (Má) Companhia



Hoje gostaria de escrever um pouco sobre essa figura mitológica da psicodelia musical pernambucana e mundial, trata-se do velho lobo do rock and roll, o grande Lula Côrtes. Assisti um show dele na abertura do Pré-AMP em fevereiro e, posso dizer, que foi bastante emocionate ouvir a rouca voz de Lula trucidando as adversidades da vida e mostrando-se o mais jovem de todos os artistas da atualidade. Acompanhado da Má Companhia, eles fazem o melhor show de rock, na minha opinião.


Eu conheci Lula Côrtes antes mesmo de ouvir qualquer música dele, no máximo tinha escutado falar. Estávamos na praia de Atapuz, quando da realização da Regata Atapuz-Recife, onde Lula estava hospedado na mesma casa em que eu e meus amigos, Hugo Perez e Andréia. Desde já, me afeiçoei ao seu espírito altaneiro, ainda mais que quando a gente é jovem se encanta facilmente pelas lendas que envolvem os grandes dinossauros. O éter é perceptível. Mas, o fim de semana passara e eu ainda demorei uns dois anos para ouvir o Paêbiru, disco gravado com Zé Ramalho em 1975. Entretanto, não é sobre esse disco que gostaria de falar, pois este, já recebeu todos os méritos dos críticos musicais ao redor do mundo. Gostaria de falar das parcerias que Lula realizou, seja com Laílson, Jarbas Mariz, Zé Ramalho, Robertinho do Recife e (Má) Companhia (essa última, que banda de rock!!). Os discos de Lula são diferentes entre si, ele bebe na parceria com outros músicos e no caso das atuações com Laílson e Jarbas Mariz, os discos são instrumentais, ficando para a voz humana apenas grunhidos e sibilos. Quando se deixa levar pela poesia, mistura os ritmos nordestinos e do mundo nos brilhos e mistérios de sua imaginação.


Muito se fala que o movimento Manguebeat dispertou uma veia rebelde e impulsionou a juventude a desabrochar sua inclinação musical. Porém, na década de 1970, encontramos em Recife (e adjascências) uma geração de poetas e músicos malditos que irão se engalfinhar em pântanos de cogumelos de onde explodiriam pérolas da música tida como psicodélica. Ave Sangria, Aratanha Azul, Zé Ramalho, Lula Côrtes, Phetus. Desculpem-me os que eu esqueci. Essa rapaziada representava Pernambuco e Paraíba fazendo frente ao Pessoal do Ceará e aos Novos Baianos, entre eles, Raul Seixas.

Através do meu blog, nessa morgada noite de sábado, resolvi prestar minha homenagem ao grande Lula Côrtes, em vida, desejando-o muitos anos de trabalhos na música e nas artes plásticas e que continue a produzir, refletindo sua visão do mundo e expondo sua alma na bandeja! Segue alguns discos do velho Lula. Pra quem não conhece, tá perdendo tempo!


1) Lula Côrtes e Má Companhia (A Vida não é Sopa - 2006): http://cantinadorock.blogspot.com/2008/06/lula-corts-vida-no-sopa-2006.html


2) Lula Côrtes e Laílson (Satwa - 1973): http://sombarato.org/node/16







Obs: Minha gente, tenho dois discos aqui no meu computador que não achei em outros sites da internet: Lula Côrtes (O Gosto Novo da Vida -1981) e Lula Côrtes e Jarbas Mariz (Bom Shankar Bolenajh - 1988). Alguém sabe como faço pra disponibilizar esses discos?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Timbu Coroado



Olá queridos visitantes do blog. Acho que vocês perceberam que voltei com gosto de gás: quatro postagens em três dias. Concordo que quantidade não é sinônimo de qualidade, mas espero trazer pra vocês assuntos dos mais relevantes, daqueles que tornam vocês orgulhosos de serem meus amigos, mesmo que virtuais. O assunto do dia tem se tornado bastante frequente por aqui e nas esquinas recifenses: é o velho e bom carnaval. Hoje, gostaria de falar sobre a troça carnavalesca mais antiga (que ainda está em atividade) da cidade do Recife, é o Timbu Coroado. Troça que desfilou pela primeira vez em 1934 (já já eu conto a história) e ainda hoje agita as ruas do bairro dos Aflitos no domingo de carnaval. Por minha devoção ao carnaval das ladeiras de Olinda, nunca brinquei o carnaval do Timbu, mas prometi que desse ano não passa, no domingão de manhã estarei por lá, bebendo cachaça (como um bom timbu) e dançando frevo. Aliás, tudo isso merece uma melhor explicação.




Para quem mora longe do Recife e não sabe a origem de tudo isso que estou falando, vou detalhar melhor. O timbu é um masurpial facilmente encontrado na beirada dos rios e, sendo nossa cidade um estuário, é muito comum encontrá-lo nos bairros onde o saneamento deixa brechas, por exemplo na Várzea do Capibaribe. Assim como se come carne de tatu, de faisão, de gato (vai dizer que nunca comesse um espetinho de gato no carnaval?!), também se come a carne do timbu. E a maneira de se caçar o nosso querido mascote é muito simples: coloca-se um pires com cachaça e o masurpial vem rapidinho, bebe e fica tonto, sendo facilmente caçado. Então, sempre que alguém queria chamar uma pessoa de bêbado, pingunço ou qualquer outro sinônimo (e olhe que a variedade é imensa) chamava-se de timbu. O timbu é o mascote do Clube Náutico Capibaribe, o que enche de orgulho nossa torcida, pois ao contrário dos nossos rivais, nosso símbolo é original, além de homenagear um dos hábitos mais saudáveis que existe: tomar a velha cachacinha (e se tiver um caju, melhor ainda). Enquanto o nosso maior rival em Pernambuco resolveu adotar o leão como símbolo e assim tem que dividir a majestade com tantos outros clubes do Brasil (Remo, Fortaleza, Vitória, Portuguesa, Avaí...), o Náutico adotou um mascote original, que não se destaca pela força nem violência, mas porque gosta mesmo é de ver o mundo rodar. O Náutico é famoso por ser um clube de origem aristocrática, porém é comum a gente passar por um daqueles botecos caindo aos pedaços e encontrar aquele papudinho, com o olho torto e vestindo uma camisa surrada do Náutico e vá perguntar a ele se ele torce pelo timbu porque é o clube aristocrático. Sua resposta será simples: eu sou timbu!




Tudo começou no ano de 1934, quando o Náutico ia jogar uma partida decisiva, um clássico, com o hoje agonizante, América, da Estrada do Arraial (conhecido como o Clássico da Técnica e da Disciplina). O Sport para ser campeão necessitava que o Náutico não vencesse o América e sua torcida se misturou à torcida do esmeraldino da zona norte e ficaram "agorando" o clube alvirrubro. Ao final do primeiro tempo, o jogo estava 1x1 no antigo estádio da Jaqueira, chovia na capital pernambucana. Um diretor do Náutico entra no gramado com uma garrafa de Cinzano e pede que os jogadores esvaziem o litro da bebida. O diretor dizia que a equipe estava fria, sem ímpeto e, precisava acordar em campo. Imediatamente, a torcida do Sport e do América começaram a gritar: Timbus, Timbus!! O segundo tempo recomeçou e a tática do diretor deu certo, o Náutico venceu o América por 3x1, ganhou seu primeiro título estudual e os jogadores e torcedores gritavam pelas ruas da cidade: Timbu, Timbu!! Para comemorar tal feito, os torcedores resolveram criar um bloco de carnaval, o Timbu Coroado, que desde então desfila no carnaval pernambucano.




A relação entre o Náutico e o carnaval é bastante estreita. Não bastasse o hino do Timbu Coroado ser escrito por Nelson Ferreira (maioral do carnaval), este também presenteou o clube da Avenida Rosa e Silva com um frevo instrumental chamado Come e Dorme, em homenagem aos jogadores reservas do hexa, que não precisavam fazer mais nada e, este hino foi, durante décadas, o hino oficial do Náutico. O Náutico está no guiness book como sendo o clube do mundo que tem mais músicas gravadas em sua homenagem: são mais de 250 frevos! Isso sem contar esses funks e raps de torcida organizada (deixa isso pros rivais mesmo). Na verdade, o que mais me encanta no clube alvirrubro não é sua origem aristocrática e sim o ludismo que permeia toda a essência timbu. Nosso clube não precisa ter a maior torcida, nem o maior número de títulos, o torcedor do Náutico é feliz por ser o que é: um timbu!




Hino do Timbu Coroado:
Composição: Nelson Ferreira



O nosso bloco é mesmo enfezado


É o Timbu, é o Timbu Coroado


Desde cedinho já está acordado


É o Timbu, é o Timbu Coroado


Entre no passo


Que o frevo é de amargar


Pois a turma é muito boa


E no frevo quer entrar


Não queira bancar o tatu


Eu conheço seu jeito, você é Timbu


Esse negócio de casá, casá, casá


É negócio pra maluco


Pois ninguém quer se amarrar


Timbu sabe isso de cor


Casá pode ser bom, não casá é melhor


N-Á-U-T-I-C-O


Todo mundo vai saber isso de cor!




obs: quem quiser baixar o hino do Timbu Coroado tá no final dessa página da NáuticoNet.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vashti Bunyan


O Blog do Dodô mantém a tradição de sempre trazer algum disco escondido para os queridos visitantes. Dessa vez, a artista em questão é a inglesa Vashti Bunyan, embora seu nome remeta ao mundo indiano. A artista em questão tem uma trajetória musical muito diferente de todos em sua geração. Ela começou a se apresentar em festivais em meados da década rebelde, the sixties, e cativou uma parcela do público que conseguia compreender sua poesia rural. O gênero de suas canções é taxado como folk, o que é muito justo, na minha opinião. Muitos artistas acabam ganhando esse vantajoso rótulo por empunhar um violão e fazer qualquer voz um pouco mais melosa e assim se tornam ícones da juventude indie(ota).

Vashti Bunyan sofreu um imenso trauma após lançar esse álbum que vou deixar pra vocês no final da postagem. Ela foi duramente criticada na época por fazer músicas tão simples que beiravam a infantilidade. Os temas eram os mais bucólicos possíveis, falavam sobre um arco-íris sobre um riachinho ou sobre uma pequena rosa colorida que ficava na beira da estrada. O disco Another Diamond Day foi todo composto enquanto Bunyan fazia uma viagem de carroça com seu namorado da Inglaterra para o norte da Escócia e todo o repertório surgiu das belezas que encontrava pelo caminho. As belezas das coisas do interior era o que realmente fascinava nossa artista. Porém, para os críticos musicais da época, acostumados com a sagacidade de artistas como Bob Dylan, Pink Floyd, The Kinks e The Who, não deram a devida atenção às suas canções, atacando-a imperdoavelmente. Vashti Bunyan ficou tão traumatizada que só gravou esse primeiro disco em 1970 e não se arriscou mais ao apedrejar da crítica musical. Acontece que muitas vezes uma obra de arte não pode ser interpretada por uma geração por não responder aos anseios desta. A geração dos anos 60 e início dos anos 70 queria mesmo era chocar, romper, instaurar novos conceitos e uma música que buscava valorizar as coisas mais simples da vida interiorana não poderia servir de modelo para aquele determinado presente.

O resgate de Vashti Bunyan vai se iniciar no final dos anos 90, quando novos artistas como Cat Power e Belle and Sebastian buscaram reescrever a essência da música folk. Mais de trinta anos após Another Diamond Day, Vashti Bunyan lançou mais dois discos seguindo a mesma linha composicional do primeiro disco. Deixar-vos-ei com a página para download desse maravilhoso disco que nos passa uma sensação gostosa de paz e harmonia. As flautas e o violão encaixam perfeitamente com as letras e a voz de Bunyan. Para quem não conhece esta artista, fica o convite. Ficarei muito feliz se alguém se arriscar a conhecer a música desta cantora e compositora, contemporânea de outro grande nome do folk inglês, Nick Drake. Destaco as músicas Rainbow River, Rose Hip November e Timothy Grub. A sensação de paz é inevitável. É só deixar-se mergulhar nesse jardim de melancolia e mansidão.

link para baixar o álbum: http://www.filecrop.com/12251671/index.html (copiar e colar)

video não-oficial no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=_zSY2XfF0kc

Boa semana para todos!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

E o Carnaval já começou...

Depois de uma hibernação de mais de um mês, retomo minhas postagens aqui no blog para falar de um assunto que associa-se ao cotidiano de todos que moram na cidade maurícia, a folia de momo. Em italiano, folia significa loucura, o que não deixa de ser bastante justo. Ontem, o sábado quinze dias antes do carnaval oficial, aconteceu uma prévia de carnaval na avenida principal do bairro onde moro, o Engenho do Meio. Uma prévia daquelas bem populares, com trios elétricos tocando axé, brega e similares. Particularmente, eu não tinha o menor interesse de acompanhar tal evento, mas eis que o acaso... ah, o acaso.

Aqui em casa criamos dois canis domesticalis, Lilica e Bianca, esta última é um animal da raça pitbull. A pobre animal, por pertencer a uma raça tão mal comentada em nossa sociedade acaba pagando pelo mal juízo dos homens. Acordo que se um pitbull for criado sofrendo maus tratos e preso numa corrente, agressivo será. Mas, não é o caso da doce Bianca, que até brinca com minha sobrinha de 5 meses. Por ser um pitbull e ter fama de violenta, o cunhado do meu cunhado, que mora na rua onde o carnaval passaria, pediu que Bianca ficasse em sua casa para proteger de uma possível invasão dos foliões. Quando acordei no sábado, Bianca já não estava mais em casa, tinha ido cumprir sua missão de defender o patrimônio humano. O dia foi se passando e eu pouco me lembrava da nossa cadelinha. Até que a pândega proporcionada pela festa começou a chegar aos meus ouvidos. Então, minha mente fértil começou a imaginar cenas terríveis da qual Bianca seria a personagem principal. Os maloqueiros subindo no muro e atirando pedras nela, por ela ser um pitbull. Ou então, o barraqueiro jogando cerveja nela de longe, sem contar a imensa desordem que o som do trio elétrico não causaria aos seus ouvidos, muito mais sensíveis que os nossos. Antes que minha imaginação me enlouqecesse, parti para a casa do cunhado do meu cunhado para fazer companhia à cadela (os papéis se inverteram).

Ao me deparar com a rua, avistei uma série de jovens senhoras, vestidas em minúsculas indumentárias, coladíssimas ao corpo trepidante e simulando uma dança acasalamental. Minha rua que fica transvessal ao logradouro oficial da festa estava terminando e eis que já me encontrava no meio da multidão. Para as câmeras do helicóptero, eu era mais um na multidão, também era um folião. Cheguei à casa de Vágner (o cunhado do meu cunhado) e chamei pelo interfone a doméstica, senhora de religião protestante, muito assustada pelo carnaval e pelo pitbull ao redor da casa, jogou a chave para que eu pudesse entrar. Ao adentrar no lar, encontro Bianca extremamente nervosa, com o corpo todo trêmulo. Nunca tinha-a visto tão aterrorizada. Comecei a brincar com ela e a mesma foi se acalmando, mas sem relaxar um momento sequer. Não tinha como levar a cadela pra minha casa no meio da multidão e fiquei com pena de deixá-la sozinha naquele terror. Decidi que ia ficar na casa de Vágner até que o carnaval terminasse. Subi no muro da casa e lá de cima passei a acompanhar o baile assombroso de fazer inveja a qualquer freak show.

Como diria alguém que não me recordo (acho que Vinícius de Moraes), as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental. Meus amigos, acho que alguém lá em cima passou uma vassoura e resolveu juntar toda a bizarrice nas ruas do Engenho do Meio na troça do bloco Barriga de Fora. Só joinha. Lá do alto, eu tentava observar o máximo de ações possíveis, desde a abrasada atuação policial ao tráfico de loló, as músicas, os camarotes improvisados, as danças e o burburinho sem fim das pessoas. Lá vem o primeiro trio elétrico, era a Frevioca, cantando sucessos dos carnavais antigos, músicas de Capiba, Nélson Ferreira, Edgard Morais. Entretanto, apenas poucos acompanhavam. Um clima quase familiar. Um pai com uma filha vestida de odalisca na cacunda fazia um passo cuidadoso. O sol das quatro da tarde tornava tudo agradável. Arrisquei um comentário qualquer com o vizinho do muro ao lado, até pra dizer que eu era parente de Vágner, pois percebi que ele estranhava minha presença no muro, na ausência do titular da casa.

Lá vem o segundo trio elétrico. Ao longe, a música era indecifrável, apenas as mãos em sintonia batiam palmas ao ar, uma massa se deslocava para um lado e para o outro e a balburdia era total. O trio se aproxima sem cordão de isolamento. Comecei a me preocupar com tantas pessoas bêbadas e alucinadas de loló. E se alguém perder o controle e cair embaixo do caminhão? Certamente o motorista não olharia. Que desgraça seria! O trio já estava quase na minha frente quando o cantor solta uma música que enlouquece a multidão e cujo refrão dizia apenas assim: "É no gegé, é no gegé... é no gegé." Não me perguntem o que é gegé que eu não sei, mas acho que todo mundo sabe e gosta, pois as mulheres enlouqueciam e os rapazes (quase todos de cabelo tingido de louro, me senti quase na Finlândia) faziam roda de funk e ai de quem não se defendesse. Na minha frente, uma cena bizarra se desenrolava, duas mulheres mui afeiçoadas uma a outra, faziam uma dança erótica. A indumentária da que estava à frente era quase nenhuma e seu corpo avantajado esforçava-se em pulular sua adiposidade enquanto sua parceira atrás osculava-a no pescoço. Um açougue à céu aberto de fazer inveja às memórias de Aluísio de Azevedo. Mais à frente o cantor manda parar a música. Então o mesmo pede ao motorista que adiante o trio elétrico e pede auxílio do bombeiro que um homem havia sido esfaqueado. Começa um corre-corre na multidão e o cantor pede que as pessoas se afastem para que a vítima pudesse respirar. O cantor se despede do rapaz agonizante desejando boa recuperação e diz que a festa não pode parar. Assim que o carro do bombeiro, que a muito custo chegara no local, recolhe o rapaz, a multidão volta a pular como se nada tivesse acontecido. A todo momento os policias carregavam pessoas que vendiam ou consumiam loló, arranjavam confusões ou roubavam os foliões. Na casa à frente, nenhum sinal de vida. Ou o dono se trancou em casa e tentou se isolar da fanfarra que se desenrolava lá fora ou abandonou seu lar em busca de paz. Outro carro se aproximava, dessa vez não era um trio elétrico e sim uma caminhoneta da polícia cheio de infratores em cima. Todos muito apertados, sentados um no colo do outro e um rapaz forte atrás alegando ao policial que não caberia na carroceria. O policial muito delicadamente sopapeia o mesmo obrigando-o a subir na caminhoneta e se aconchegar com os outros. Outro trio elétrico se aproxima cantando músicas de Alceu Valença e Zé Ramalho. Pensei: "Pôxa, menos mal." Mas, parece que os cantores dos trios sabiam que eu estava lá e iria escrever no blog sobre as bizarrices de uma tarde de carnaval no subúrbio do Recife e, resolveu parar o trio na minha frente. A cantora disse: "Pára o carro, motorista. Vocês agora vão dançar coladinhos." E começou a tocar brega por quase meia hora. Eu olhava pra dentro da casa e Bianca já exausta de tanto latir olhava pra mim pedindo pra tirá-la daquele tormento. Mas não havia como, não naquela hora ainda.

Os trios se foram, as pessoas enlouqueceram e retornavam pras suas casas. Talvez para brigarem com suas mães ou esposas, outros arranjavam namoradas, senão para a vida toda ao menos para o suficiente presente. Paredes molhadas de urina. Sujeira no chão. São quase sete da noite. Há mais de uma hora não passava nenhum trio mais, mas a rua ainda estava cheia, embora desse para passar sem esbarrar em ninguém. Disse à doméstica que estava indo embora e levando a cadela, pois a festa já havia acabado e com a porta trancada, mal nenhum haveria de ocorrer. Ela disse que tinha fé que nada de mal ocorreria. Compreendi seu medo e sua coragem. Sai com Bianca mui cuidadosamente pelo meio do povo que ainda fechava a rua. As pessoas se afastavam e se assombravam: "Olhem, um pitbull!" Cheguei na minha rua, entrei em casa e a pobre cadela sentiu-se, finalmente, feliz. Tive a sensação de ter vivido por dias naquelas três horas em que voyeurizei o carnaval do Barriga de Fora. Eu adoro o carnaval, mas ontem passei a entender o por quê da necessidade desta festa. É o local onde podemos expôr nossas bizarrices escondidas sem medo da repressão alheia, onde nosso lado animal aflora e nos banqueteamos de nossas imundícies e prazeres.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Счастливого Рождества - Feliz Natal


Oi, meu povo. Feliz Natal para vocês. Hoje gostaria de presentear-vos com uma obra magnífica. Esse ano de 2008 foi um fiasco, financeiramente falando, então presentes desses que se compram em loja, nem minha sobrinha vai ganhar. Mas, acredito que essa oferenda que deixarei pra vocês pode ser útil e engrandecedora em suas vidas. Trata-se dos "Sete Portões de Jerusalém" do compositor polonês Krzysztof Penderecki, que ainda atua nos dias de hoje e esteve no Brasil recentemente. A obra, como um todo, desse compositor polonês é muito versátil. No início da sua carreira trabalhava com música erudita moderna aproximando-se de seus contemporâneos: Ligeti, Varèse e Messiaen. Entretanto, quando todos imaginavam que ele ia continuar trabalhando na estética moderna, eis que ele resolve se aproximar do pai da matéria, o velho Johann Sebastian.

Nosso mundo moderno nos obriga a cada vez mais buscar a originalidade escondida, o novo traço, o talento individual inédito. Mas, corremos o risco de esquecermos daqueles que fundaram as bases de nossas experiências. E como é grandioso nosso descobrimento das coisas do passado! Por vezes, temos a soberba de nos autoidentificarmos como sendo o ápice da civilização ou, num sentido mais progressista, que estamos caminhando para esse apogeu. Aí, nos deparamos com a grandeza dos antigos, com a força mítica da tradição. Assim, Santo Agostinho ainda é bastante atual aos nossos olhos. A Ilíada e a Odisséia, são tão audaciosas quanto as aventuras de Senhor dos Anéis e por aí vai. Os grandes homens do passado precisam ser conservados.

Assim, a virada de Penderecki em direção ao trabalho realizado por Bach, um barroco tardio, merece nosso louvor. Não que o nosso polonês esteja fazendo uma imitação barata de sua obra, mas contribuindo e expandindo uma tradição encantadora. Os Sete Portões de Jerusalém é o meu presente de Natal pra vocês. Destaque para o primeiro e o sétimo atos que são extraordinários. Beijo para todos e que aproveitem este Natal. Mesmo para quem não tem fé nem religião, o Natal é um período iluminado, pois sua mensagem é otimista e pacífica e não existe estado de espírito melhor para encarar a vida. Schopenhauer que o diga.

Seven Gates of Jerusalem (Penderecki):
http://rapidshare.com/files/173984601/PQP_Krzysztof_Penderecki_Seven_Gates_Of_Jerusalem_1999.rar